Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pronto. Voltemos a pensar

"Por favor, Josiel, publica novamente aquele texto maravilhoso de abrilde 2009 sobre o BBB. É inacreditável: milhões de ligações pra esse programinha!?... Como vc disse, é um bando de gente à toa, assistido por um monte de gente que não tem o que fazer. Realmente, é uma sacanagem com o telespectador. Ainda bem que existe a TV Cultura, a TV Brasil, um bom livro pra se ler... Um grande abraço, Lu"

Atendendo a querida leitora Luciane Queiroz, republicamos o texto de 7 de abril de 2009, por ocasião do encerramento da 9ª edição desse tal BBB. A confluência de boçalidades parece não ter mudado tanto assim.


O Big brother acabou. Graças a Deus!

E termina mais uma edição do big mala Brasil. O que é isso!? O maior desserviço da televisão brasileira. Um bando de gente à toa assistido por um monte de gente que não tem o que fazer. Até conheço muito sujeito de bem, moços e moças bacanas, hipnotizados pelo festival de besteira sem fim. Também, fazer o quê? A TV, invasora, entra na casa do cidadão, se instala e fim. Tem que ter muita força para não cair na tentação de ver o que não presta. Não é fácil. Eu sei. Vejo bobagem demais na vida. Mas desse programeco estou imune. Fui libertado por uma namorada, das mais inteligentes que encontrei pelo caminho, viciada nesse tóxico eletrônico.

A moça, fina, elegante e sincera, não perdia nada do assunto. Até pagava canal a cabo para ter 24 horas da substância. Francamente. Na segunda edição, terminamos. Eram conversas intermináveis sobre o tema. "Para falar que é ruim, tem que assistir", esbravejou, sem dó, certa vez comigo. Assisti. Ao lado dela, por duas semanas. Até hoje não a perdoo pelas horas sagradas desperdiçadas. Ô programinha ruim! Ninguém merece. É até sacanagem com o pobre do telespectador. E o Pedro Bial? Coitado! Já foi repórter de prestígio, viajado e coisa e tal. Que triste fim de carreira. É forte candidato ao título de mala do século. Já está pau a pau com o Galvão Bueno.

Nem acredito que gastei dois parágrafos com essa bobagem. Mas vamos lá. Já desabafei, amigo leitor. No fundo, bem no fundo, até respeito se você tem vocação para assistir ao BBB. Ninguém é perfeito. Mas saiba que você tem salvação. Pode crer. Aqui vai a receita: na noite de hoje, no mesmo horário que teria o entorpecente, tome um banho de sal grosso, com cravo e canela. Depois, não use toalha. De olhos fechados, espere toda a água do corpo secar. Enquanto espera, diga para si mesmo: "Eu tenho salvação" eu tenho salvação" eu tenho salvação"" Isso deve durar meia hora, sei lá. A seguir, embrulhe-se num lençol branco, leia capítulo qualquer da Bíblia, faça uma oração para Santa Clara, padroeira da televisão, e durma. Amanhã, tenho certeza, você nunca mais vai pensar nessa bobagem.

E lá se foi mais um parágrafo. Só não é desperdício porque sei que, assim, quem sabe, posso salvar alguma alma perdida. Afinal, oração e sal grosso não fazem mal a ninguém. Além do mais, estou motivado por passageiro que, na noite passada, me alugou os ouvidos em corrida interminável. Sujeito bem-apessoado, especialista em Big brother. Inacreditável. O cidadão nunca perdeu uma edição.

Fã de carteirinha, é capaz de dizer, sem pensar muito, todos os finalistas. Acreditem, não só sabe quem ganhou como o que o premiado fez com o dinheiro. "Fulano comprou uma casa não sei onde; sicrano montou uma academia; beltrano está na pior"" Aquilo foi me dando nos nervos. Tentava mudar de assunto e o maluco não deixava: "Tem também o cara que foi preso e depois morreu. Ah, a outra era casada e, depois da fama (?) fingiu nem conhecer o marido. E o moicano, lembra?"" Não dei conta.

Encerrei a jornada mais cedo e desci a caneta: "O Big brother acabou? Graças a Deus!"

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 31/3/10

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