Vincent - Um solo de amor

quinta-feira, 25 de março de 2010

E a luta continua

Leiam o que a jornalista Silvana Mascagna escreveu a respeito das trapalhadas da Fundação Municipal de Cultura:


"A resolução de não realizar o FIT este ano vem coroar uma administração capenga da Fundação Municipal de Cultura

Paralisia da cultura em BH

A notícia do adiamento do FIT me entristece e me espanta. Não só porque desde sempre fui uma fã incondicional do festival, mas por acreditar que a resolução de não realizá-lo este ano vem coroar uma administração capenga da Fundação Municipal de Cultura. E isso é detectável no estado de paralisia em que se encontram vários equipamentos culturais da cidade (MAP, Crav, Francisco Nunes) e no fim de vários projetos importantíssimos para Belo Horizonte e que eram referência nacional (como o Bolsa Pampulha). Mas não só.

O próprio anúncio do cancelamento da edição 2010 do Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua - FIT BH mostra a falta de tato e sensibilidade dos dirigentes da fundação em lidar com questões de toda ordem. As falas da presidente da Fundação, Thaís Pimentel, na última quinta-feira, quando convocou uma coletiva para dizer que não haveria o FIT este ano, era de alguém que sequer tinha conhecimento do que dizia. Primeiro, ela colocou a culpa na arte ao dizer que o evento não aconteceria por falta de qualidade dos espetáculos - se fôssemos acreditar nessa patacoada era o caso de perguntar como os outros festivais conseguem montar uma programação e nós não? E qual a garantia que essa "crise criativa mundial" iria acabar no ano que vem, já que não houve um cancelamento, mas adiamento para 2011? Depois, segundo a presidente, os culpados eram a Copa do Mundo e as eleições - ora, ora, ora, como foi possível então fazer o FIT todos estes anos, já que desde que foi criado (com exceção de 1997 por conta do aniversário de BH), ele sempre aconteceu em anos pares, o que coincide com eleições? Thaís ainda disse que o adiamento não tinha nada a ver com falta de verba - então por que os salários da equipe que cuida do FIT estão atrasados há meses?

Foi só no dia seguinte que Carlos Rocha, coordenador do FIT, veio a público explicar o imbróglio. E embora tenha esclarecido alguns pontos importantes, ele só fez aumentar em mim a sensação da péssima administração da Fundação Municipal de Cultura. O problema, segundo Carlão, não foi a falta de bons espetáculos - ele não cometeria uma imprudência dessas - , mas o pouco tempo que a comissão teve para viajar e escolher as peças que formariam a programação. As viagens para o exterior e outros Estados que normalmente se iniciam em janeiro, só começaram a ocorrer no meio do ano passado. Isso porque houve um atraso na assinatura do convênio do FIT com uma entidade cultural, que é quem receberia a verba para a realização do evento. Ele mencionou a Copa do Mundo e as eleições - disse que elas realmente atrapalham para captação de patrocínios (para quem????) e que mudar o FIT para anos ímpares é uma antiga reivindidação. Muito bem, os argumentos de Carlão explicam o porquê do adiamento do FIT, mas revelam, escancaram até, um problema de gerência da atual gestão, já que a comissão a que se refere Carlão (formada por ele, Eid Ribeiro e Richard Santana) é bastante experiente na curadoria do FIT.

Além das questões artísticas, culturais e morais, a Fundação terá ainda um problema jurídico a resolver, já que está previsto em lei a realização do FIT de dois em dois anos. E como será que Thaís Pimentel está lidando, no seu íntimo, com isso? Será que ela está preparada para entrar para a história de BH como a pessoa que paralisou a cultura na cidade?"

O Tempo - Silvana Mascagna - 24/3/10

Um comentário:

Walmir disse...

Mano blogueiro,
a má gestão cultural da cidade não cabe apenas à secretária. Ela é subproduto da administração municipal, do prefeito Lacerda.
Uma administração lastimável.
Nenhum prefeito com ações culturais assim teve longa vida na política.
abraço,
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net