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quarta-feira, 24 de março de 2010

'A classe se levanta' repercute

"Mano blogueiro,

ao longo do tempo a organização política das classes artísticas se perdeu. Os sindicatos de jornalistas, de músicos, de artistas plásticos, de teatro deixaram de atuar em profundidade na formulação de políticas. Foi através da organização desses órgãos representativos que ao longo dos anos 1970/80 fez-se a redemocratização do país, conquistamos o ministério da cultura, a secretaria de estado da cultura, a secretaria municipal de cultura, conselhos consultivos e luta pelos conselhos deliberativos nos órgão públicos de cultura, acordos com o governo para que propaganda pública fosse feita por agências de publicidade mineiras e por artistas e profissionais de Minas, a implementação das leis de incentivo federal, estaduais, municipais, inúmeros teatros novos, grupos e empresas profissionais, escolas técnicas e superiores, publicações diversas, projetos como as Campánhas de Popularização, interiorização cultural abrangendo vastas regiões do estado,ampliadas possibilidades de trabalho e de acesso ao bem cultural e artístico.
Estas conquistas tiveram, no entanto, seu lado ruim.
Infelizmente.

O sentido de coletivo que havia e que possibilitou todas estas conquistas se perdeu.
Foi perdido em função de um olhar mercadológico onde os artistas, mesmo sem perceber, escolheram caminhos de puro individualismo que é a doença da individualidade. Os órgãos representativos foram abandonados, perderam força e credibilidade. Então surgiram grupamentos que lutam entre si (teatro de grupo x teatro empresarial, por exemplo, de tristes e vexatórios embates), cada qual querendo mesmo puxar as sardinhas de alguns benefícios conquistados para seu próprio proveito.

O poder público viu-se então à vontade para, diante da cisão, fazer o que diziam e hão de dizer sempre os "cabeças de planilha", administradores que olham os números e o débito/crédito sem levarem em conta que o retorno cultural é um bem inestimável em si, diverso e incompatível com o retorno fianceiro.

Onde a representação das categorias dentro desses órgãos? Tivesem representados lá, com poder de voz que fosse, não teria sido desmontada a SMC, o Arena da Cultura, o próprio FIT aconteceria de maneira diversa.

Tivessem as categorias força de representação, vontade representativa, isto não teria acontecido.

Por que, pois, protestar contra a ausência do evento agora, se o importante é que dentro do FIT, da Fundação, houvesse representação das categorias envolvidas? Representantes indicados pela categoria?

Mas não, o próprio FIT, sua estrutura, deixou de se referir às categorias.
Refere-se aos interesses dos "cabeças de planilha" do governo.

O FIT é distante, intocável e por isso anti-democrático em sua estrutura e gestão.
Sua estrutura é estrutura que não reflete o ambiente democrático.
Se fosse um estrutura democrática não teria suas ações manipuladas.

E quem aceita dirigir o FIT, ainda que oriundo da categoria artística, passa a responder ao poder dos "cabeças de planilha" que promofem seus "choques de gestão" à socapa.

Aceita e exercita-se nos meandros do populismo que tem raízes fincadas fundo em nossa cultura de apadrinhamentos.

Penso que a luta das categorias deve se fazer não em protestos pelo FIT adiado, mas por exigência de participação efetiva na gestão pública da arte e da cultura.
Vejo, assim, o adiamento do FIT, como oportunidade de redirecionar ações para algo que suplante a mesquinharia de um capitalismo que repete entre pares a nefasta guerra fiscal que presenciamos entre estados e municípios. E mais, vejo estes protestos, em sua essência, não como boa manifestação popular, mas como testemunho claro da falta de organização das classes artísticas.

Abraço, mano".

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