Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os médicos e o bafo do dragão


E a inflação, hein!? O dragão voltou a galope. Primeiro os combustíveis, depois quase tudo o que é transporte. Nesse ritmo, onde vamos parar? A coisa tá começando a arrochar. Na universidade, entre meus professores, mestres e doutores, o assunto rende. Só perde para o imbróglio dos convênios médicos com os profissionais da saúde. Inclusive, meus colegas, ontem, promoveram discussão saudável durante aula de economia com o Fabrício, doutor em temas que pegam fogo. Provocador – para ver se a turma está antenada com as últimas notícias –, o professor cedeu espaço para debate sobre a questão. Otávio, vizinho de cadeira, é filho de médico. Segundo ele, o pai está possesso com os convênios. Disse que é um absurdo o que as seguradoras repassam para o profissional. “Uma vergonha”, ele disse. E emendou: “Trabalho com o meu pai. Vejo as contas. Esse povo fatura cada vez mais alto nas costas dos médicos”.

A conversa pegou fogo quando Helena, aluna de destaque em todas as disciplinas, resolveu entrar: “Não dá para ficar do lado dos convênios, mas talvez seja a hora dos médicos reverem algumas posturas. Lá em casa, a gente passa o maior sufoco para pagar sempre em dia a mensalidade. Aí, sempre que vou marcar médico para a minha avó, é sempre a mesma história. Nunca tem vaga para o mês. É sempre para dois ou três meses adiante. Certa vez, fiquei tão zangada que liguei para um outro consultório do mesmo médico e disse que a consulta era particular. Vejam só: a secretária perguntou até que horário seria melhor. E para o dia seguinte. Pode? É um abuso. Teve também um domingo que levei meu pai na emergência de um hospital chique que atendia o nosso convênio. Lá, enquanto a gente esperava, pude testemunhar o descaso de um médico com um paciente conveniado. No mesmo dia, depois que meu pai estava melhor, não tive dúvida: escrevi uma carta e fiz questão de entregá-la à direção do hospital. Se o médico foi punido, não sei, mas deixei registrado o meu testemunho. Saúde é coisa séria”, disse. Tomei nota, claro, e pedi para publicar.

O que sei, que já senti na pele, é que já fui muito bem atendido nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), da PBH, e que – por mais incrível que possa parecer – já fui muito mal atendido em hospital bacana, por meio de convênio. Na sala de aula, falei da vez que fiquei muito triste com uma médica que, durante anos cuidava do meu pai pelo convênio. Foi assim: a gente precisou falar com ela, por razões de emergência. Era cedo ainda, numa noite, e ela não deu a menor atenção. Mandou recado pelo atendente do hospital: “Diz para ligar no consultório depois de amanhã”. Francamente. Se fosse particular a história seria outra. Tanto é que conseguimos atendimento particular, com outro médico, na mesma hora. Então, o que posso dizer é que tem alguma coisa muito errada nesta história toda. Os convênios devem precisar mesmo pagar melhor. Mas muitos médicos, certamente, precisam parar de lidar com a saúde como se fosse negócio simplesmente. De resto, depois de dia de debate na universidade, pude concluir que, na doença ou na saúde, a hora é de ficar de olho no dragão.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 11/5/11

Um comentário:

Cacá - José Cláudio disse...

É pano pra manga mesmo esse tema, Josiel. Mas se tem duas coisas que sou radicalmente contra é educação e saúde ficarem em maõs privadas. Isso não pode ser tratado como mercadoria. Já tive uma época que eu sonhei transformar o mundo em uma grnde aldeia igualitária. Já fui derrotado fragorosamene mas continuo com esse idealismo besta de não aceitar que o mais básico para a dignidade humana seja objeto de lucros para uns e "Deus dará" para tantos. Abraços. paz e bem.