Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Brasil do jeitinho brasileiro


Na praça, entre os colegas de volante, há ainda quem se ofenda quando o assunto é a mania que muito brasileiro tem de querer levar vantagem, mesmo que para isso tenha que dar as costas para valores éticos ou morais. É aquela velha história que ficou famosa como “Lei de Gérson”, lembram? Muita gente sabe, mas para o jovem leitor do Aqui, vou explicar. Gérson, famoso jogador da seleção brasileira de futebol, dos anos 1970, fez propaganda muito badalada para uma marca de cigarro barata. Nela, ele dizia assim: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”. Pronto, bastou. Daí, dos anos 1980 em diante, esse lance de querer levar vantagem em tudo virou “Lei de Gérson” ou Síndrome de Gérson”.

O fato é que a expressão por tempos virou moda e retrata bem aquela gente que adora dar um jeitinho nas coisas. O assunto ganhou a coluna de hoje porque, ontem, o Plínio, companheiro bom de volante, recém-chegado ao “Clube da Janta”, saiu em defesa do povo brasileiro, à noite, quando a conversa fervia sobre a questão dos perueiros: “Esses piolhos e perueiros... isso é um problema isolado. O Amadeu não pode falar que o brasileiro é assim mesmo, que gosta é de passar a perna nos outros. Não concordo. Tem gente que faz isso e tem gente que não tem nada a ver com isso. Tenho mais de 50 anos, posso falar porque sei do que estou falando: o brasileiro é bom, alegre, trabalhador. Só que a gente tem que entender que em todo lugar é assim: tem a maior parte de gente honesta e um bocado que não presta”.

Tomei nota de tudo, até da rima, para poder compartilhar com o amigo leitor. Mas o debate ferveu foi quando o Plínio disse que entendia alguns perueiros: “Entendo sim. Já tive um amigo que, desempregado, sem nenhuma condição de arranjar outro trabalho, colocou comida em casa por quase um ano como perueiro”. Aí, o Amadeu jogou pesado e carregou na fala:

“Foi bandido. Não tá certo. A gente se mata para dar conta de se manter na legalidade, aí aparece um sujeito desse, tenha ele a razão que tiver, e vai fazer transporte clandestino de passageiro? É um absurdo. É querer dar um jeitinho pra levar vantagem. É muito mais lucrativo ser perueiro do que ficar batendo o volante na praça como a gente faz. Digo e repito: esse povo não tem jeito. É em tudo o que é lugar. É aqui, é em Confins, é em Brasília. Olha só esse Palocci... Na política e em todo lugar que tem poder, que circula dinheiro, tem gente que aprende rápido a tirar algum proveito. Minha mulher já foi contadora, fazia muita declaração de imposto de renda pra gente cheia de dinheiro. Já soube de cada coisa, de cada tramoia, que pediam pra ela fazer. Ela até largou de fazer esse trabalho de tanta coisa absurda que queriam que ela fizesse. Esse povinho brasileiro não tem jeito não. Até o sujeito comprar carro com desconto especial para deficiente em nome do primo eu já vi”.

É, Amadeu. Aí, fica difícil.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 25/5/11

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