Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como nascem os terroristas


O assunto ecoa pelo planeta. A morte de Osama bin Laden é a bola da vez. Depois de todas as lentes voltadas para o conto de fadas inglês – o casamento do Príncipe William e Kate Middleton – é a vez dos EUA encabeçarem as manchetes dos noticiários internacionais. Engraçado o mundo: uma semana, historinha daquelas da Disney, um sonho; na outra, a caçada ao terror vem à tona, o pesadelo. É claro, sabemos todos, que a morte de Bin Laden – com corpo ou sem corpo – não vai encerrar nenhuma guerra. É simbólica. Infelizmente, outros Osamas já estão espalhados, aos montes, cheios de ódio, dispostos a matar e morrer. Muito triste isso. Tenho conversado bastante sobre esse negócio de terrorismo. Até dedico tempo de leitura e pesquisa para fundamentar melhor as ideias. Mas, devo confessar, desde sempre o estudo sobre as guerras não entra bem na minha cabeça. Nem quando garoto, fã das aulas da professora Palmira, eu avançava na matéria. Nunca compreendi a lógica das invasões, dos extermínios em massa, das lutas intermináveis por território e poder.

Menos ainda os conflitos religiosos. Esses são os que mais me perturbam os pensamentos. Na minha cabeça miúda, de amador, não dá para aceitar nenhum tipo de conflito em nome de Deus – ou seja lá qual nome dão ao criador. Sou pai. Olho para os meus filhos, já bem crescidos, e ainda os vejo crianças. Como não amar as crianças? Osama bin Laden foi criança. Ditadores, criminosos, os piores vilões da história, também foram crianças. De onde vem o ódio contra este ou aquele país? Contra o povo daqui ou dali? O que pensam os pequenos que crescem em meio à destruição? E aqueles meninos e meninas que testemunham o assassinato de seus pais e irmãos? Que futuro de paz e amor pode haver aos que herdam o ódio? Não. Definitivamente não há guerra boa. Cresci, filho de pai budista, ouvindo que o homem é essencialmente bom. Que devemos trabalhar pela paz mundial. Soube bem cedo da lei de causa e efeito.

Professor Fabrício, homem viajado, de muitos títulos, teve conversa interessante comigo e com a Violeta na noite de domingo. A gente nem podia imaginar que logo mais seria anunciada a morte do Bin Laden. Falamos sobre as nossas pequenas ações diárias pela paz. Entendemos que saber se comportar no trânsito, por exemplo, pode fazer toda a diferença. Nós que rodamos a cidade todos os dias vemos coisas de entristecer qualquer cidadão de bem. Até de tentativa de assassinato por causa da fechada de ônibus o professor foi testemunha. Concordamos que a nossa postura diante das situações de conflito, o exemplo que damos aos que estão próximos, fazem muita diferença. Concluímos que ainda não se teve notícia de guerra boa. Que não há livro de história ou doutor no assunto capaz de nos convencer de que exista conflito armado pelo bem. Não há causa que justifique atentar contra a vida de inocentes. Não cremos, por fim, que exista bem ou poder entre o céu e a terra capaz de justificar o terror.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 4/5/11

Um comentário:

Mila disse...

Excelente crônica! Você sempre escreve sobre os assuntos em foco na mídia, mas sem repetir os clichês. Parabéns pela visão crítica, reflexiva e diferenciada!