Van Gogh - Temporada 2017

Van Gogh - Temporada 2017
Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O sonho do Osmar com a Eliza Samudio


Ontem, quem diria, passei a manhã de olho na TV Assembleia. A noite foi longa no batente. Ainda assim, dormi pouco – duas horas apenas – e acordei para acompanhar o caso do ex-goleiro Bruno, agora, no assunto em questão, vítima. É o que diz. Ele e seus defensores acusam juíza e delegado em suposta oferta de favorecimento. Falam em até R$ 2 milhões na calada pela liberdade do acusado pelo desaparecimento de Eliza Samudio. É acompanhar para ver até onde isso vai. Desde o princípio, meus companheiros de praça e eu – que fomos grandes fãs do atleta – vemos essa história por demais longa e cheia de mistérios. Todo o que está em torno dos acontecimentos é triste e trágico: o sumiço da moça e o fim de uma carreira extraordinária no mundo da bola. Inacreditável. O moço estava com os pés e as mãos na Europa.

Entre os meus companheiros há quem acredite que a ex-modelo ainda vai aparecer. O Osmar é quem mais torce para que isso aconteça. Já até sonhou. Gravei e depois passei para a caderneta de papel pautado o sonho do amigo para, na primeira oportunidade, dividir com o amigo leitor. Não há ocasião mais oportuna:

“Josiel, veja bem, pode publicar quando quiser. Tava na rodoviária, na fila, depois do café do Bar do Pelé. Era madrugada. Minha vez na fila. Nisso, entra no meu carro, com bagagem pequena, de mão, uma moça muito bem vestida, de peruca loura e óculos escuros. Parecia coisa de cinema. Ela tava com um cabelo igual ao daquela atriz, a Marlyn Monroe. Nem sei como é que fala esse nome, mas é esse mesmo. Olha lá no Google como é que escreve, Josiel. Ela tinha até uma pintinha, assim, idêntica. Tô falando porque eu vi um filme com essa Marlyn, outro dia, na TV à cabo e fiquei com a imagem bem viva na cabeça. E a boca? Vermelha cor-de-sangue. E a pele era toda cor-de-rosa. Aí, voltando ao meu sonho, a estranha passageira aparentava muita saúde. Logo que deixamos a rodoviária, já na Avenida Paraná, ela tirou os óculos e a peruca. Balançou o cabelo e perguntou se eu a conhecia. Disse que havia chegado para colocar fim à peça que estava pregando no Bruno. Aí, infelizmente, acordei”.

O Osmar passou quase um mês falando desse sonho. Queria muito que isso fosse verdade. Vendo agora, na TV, o Bruno todo carinhoso, aos beijos com a namorada Ingrid, entendo bem o sonho do colega de praça. Bem que podia ser verdade mesmo. Ia ser muito bom ver o goleirão deixar a Nelson Hungria com a cabeça erguida, retomar a carreira e dar a volta por cima. Até lá, só nos resta torcer para que algo de valor se revele nesse trágico e avacalhado caso de polícia.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 29/6/11

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Jack e a saudade do pai


Fala-se demais nas mães. Mas Jack (7) queria mesmo era passar o dia com o pai, Bob Wilson (30). Tanto que virou manchete na TV e em sites de notícias de todo o mundo: “Garoto de 7 anos dirige 30 quilômetros para matar a saudades do pai”. Apaixonado por carros desde bebê, Jack, de pijama, assumiu o comando do carrão e cruzou duas cidades nos EUA. Bom moço, só parou o veículo na beira da estrada para atender a orientação da rádio-patrulha. “Só quero ver meu pai, ‘seu’ polícia”, disse, ainda sob o cinto de segurança, ao oficial linha dura. Enquanto o pai era localizado, Jack ganhou carona até a delegacia para dar mais explicações. Era necessário. Afinal, isso não se faz. O xerife, balofo e bigodudo, assistido pelo auxiliar Billy, foi quem interrogou o pimpolho:

– Café, Jack?
– Toddy. Tem Toddy?
– Billy, um achocolatado para o nosso amiguinho.
– Obrigado.
– Então, você, Jack, queria ver seu pai.
– Meu pai é legal.
– Disso, não temos dúvida, Jack.
– Vocês conhecem o meu pai?
– Não... mas porque você não pediu a sua mãe para levar você?
– Eu pedi, mas ela tava muito ocupada.
– Seu toddy. Melhor deixar esfriar um pouco.
– Gosto quente.
– Ok. Então, Jack... você resolveu dirigir para ver o seu pai?
– Tô com saudade dele.
– Não chore, filho... Ele já vai chegar. Desde quando você dirige, garoto?
– Há uns três anos... mais ou menos...
– Você tinha 4 anos... é isso?
– Foi quando ganhei o campeonato de Need for speed.
– Need for speed?
– PlayStation. O videogame, o senhor conhece?
– Ah, sim... Claro! Need for speed. Quem não conhece, hein Billy!?
– Aí, aprendi. É fácil.
– Mas você não pode dirigir um carro de verdade, Jack. É diferente.
– Eu sei.
– Então, porque dirigiu, filho?
– Por causa do meu pai, já disse!
– Foi a sua primeira vez... assim, com um carro grande?
– Não. Já fui passear com a Mary algumas vezes.
– Mary?
– Sim. É minha amiga.
– E onde vocês foram?
– No bairro mesmo. Dar um rolé.
– E os pais da Mary? Eles sabem disso?
– Não sei. Acho que não. Acabei. Tem mais?
– Toddy?
– Sim.
– Mais uma caneca, Billy!
– Quero fazer xixi.
– Claro, Jack. O banheiro fica ali, ao lado da escada.

Nisso, Bob Wilson chegou para a alegria do pequeno Jack. Toda a repartição ficou encantada com o carinho entre pai e filho. O xerife os liberou na condição de que Bob voltasse para novas declarações, assim que o departamento de polícia americano soubesse o que fazer com a ocorrência.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 27/6/11

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Não se pode confiar em mais ninguém


Cuidemos de nossas crianças, coluna publicada na semana passada, trouxe à Bandeira Dois leitor e escritor muito querido. José Cláudio, o Cacá, do blog Uai Mundo (http://uaimundo.blogspot.com) escreveu:

“Olá, Josiel. Suas abordagens são sempe uma aula de sensatez, de lucidez e perspicácia.Eu fico pensando o quanto a medicina (especialmente a psiquiatria e a psicologia) deveriam atuar mais intensamente sobre esses assuntos de ordem psico/sócio/moral. É uma doença que já está registrada há séculos, mas relegada ao mundo da criminalística, das páginas policiais apenas. E a gente sabe que isso só não extirpa o mal pela raiz. Como é um problema que afeta de forma mais intensa as nossas emoções (por causa das crianças), a tendência é um sentimento generalizado de vingança ou uma punição da mesma intensidade que o ato do criminoso. Mas acho que é preciso atacar as causas, senão nunca vamos parar de nos horrorizarmos com esta barbárie patológica. Abraços. Paz e bem”.

Caro Cacá, sua participação enriquece este quintal de reflexão e ideias. Nosso Aqui está sempre atento ao que vai além da notícia. Sinta-se em casa e volte sempre!

O assunto, bem prá lá de sério, rendeu também entre os companheiros da praça. De fato, há muita revolta entre os cidadãos de bem quando o assunto é o abuso e o desrespeito às nossas crianças. O tema só perdeu espaço para o episódio vivido pelo Ademir, colega de batente, no domingo. Foi próximo à rodoviária. O Adelson estava impossível de tanta graça que achou do acontecido. O pobre do Ademir, gente fina, caladão, trabalhador e evangélico, teve que dar explicações até à polícia. Vamos ao caso: seguia o amigo em corrida comum pela Avenida dos Andradas. No banco de trás, senhora muito distinta, elegante, de não mais que 60 anos. “Bonitona até”, ele disse. O Ademir percebeu que a mulher estava muito tensa, com expressão de medo, colada ao banco, desconfiadíssima. Pelo que entendi, o olhar dos dois ficaram cruzados pelo retrovisor numa estranheza sem igual. Aí, de repente, do nada, a senhora abriu o vidro e começou a gritar: “Socorro! Socorro!”. O Ademir, sem entender nada, quase teve um piripaque. Ele parou o carro e a dona saiu correndo.

Só mais tarde, com polícia e tudo que a coisa foi esclarecida. A mulher, vinda do interior, teve um ataque de pânico. Sem conhecer bem a cidade, não entendeu o caminho que o Ademir fazia e pensou que estava sendo sequestrada. Por isso, o pedido desesperado de socorro em plena Avenida dos Andradas. Não fosse tão boa praça, meu amigo poderia ter ficado ofendido. No entanto, levou numa boa e ainda ganhou a simpatia dos policiais. A senhora pediu desculpas e tudo ficou bem. A corrida seguiu até o Bairro Coração Eucarístico. Antes de se despedir, a mulher até fez confidência ao Ademir: “O senhor não leve a mal o vexame. É que meu ex-marido foi prefeito e meu irmão é deputado. Tomei tanto trauma com a política que, infelizmente, não confio em mais ninguém”. Foi o que ela disse. É o Brasil!

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 22/6/11

Para mudar de vida


Fred Vítor (32) ouviu dizer de boca amiga sobre um site de classificados grátis. Precisava de temporada de descanso com a Gabriela (29). O namoro do casal estava um pouco estremecido pela falta de tempo do médico plantonista. A moça, arquiteta, há muito reclamava viagem a dois. O Chico (34), anestesista, durante pausa para o café, foi quem deu a dica ao Dr. Fred:

– O site é bacana demais. Eu tinha a maior resistência com esse negócio de compras on-line. Aí soube pelo Murta (49). Vou anotar pra você conhecer: OLX Brasil.

– O Murta já tinha me falado qualquer coisa a respeito. Estava empolgado.

– Ele tá fazendo a maior propaganda. Já tem um tempão que ele só usa o site. Acho que tá aqui no celular um vídeo que ele me enviou... deixa eu ver... aqui! Olha só:



– É de muito bom gosto o comercial, Chico.

– Então, não é!? Entra lá que você vai arrumar um lugar bem legal pra levar a Gabriela.

Fim de plantão. Ao chegar em casa, o cardiologista navegou pelo site para salvar o namoro. Não só fechou pacote de quatro dias em pousada romântica, no Sul, como também colocou à venda bike novinha, encostada em canto qualquer do sítio. “Não é que esse OLX é uma boa mesmo!?”, pensou alto, em frente ao computador. Com entusiasmo, enviou mensagem de texto para a namorada: “Quatro dias de chinelas? De pernas para o ar? Que tal?”. Carente, Gabriela respondeu no ato: “Demorou, hein!?”

Na semana seguinte, juntos, voaram para o Sul. Friozinho bom, lareira e varanda para o mar. A pousada era um mimo. Há muito – três anos, mais ou menos – o casal não se curtia assim, por dias seguidos. Se o namoro sobrevivia à falta de tempo, agora, então, mergulhados um no outro, é que a coisa ia se firmar. Firmou-se. Na última noite, surpresa enterrada no Petit Gateau: anel de compromisso, luminoso, em ouro de alto quilate. “Não acredito!”, disse Gabriela, emocionadíssima. Foi temporada inesquecível de amor, entrega e olho no futuro. Noivos, os dois voltaram ao batidão da capital. Agora, decididos a viver juntos.

Bike vendida com extrema facilidade, Dr. Fred aplicou a Gabriela no OLX para que ela o ajudasse a redecorar o duplex. Não demorou, venderam os móveis antigos e adquiriram mobília em novo estilo. Hoje tem jantarzinho para inaugurar a casa e a vida nova. O Murta e o Chico, padrinhos, estão convidados.

(Post patrocinado - Jefferson da Fonseca Coutinho)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Carne fraca, espírito de porco


Naquela academia de ginástica de luxo, o time de professores era de primeiríssima linhagem. Gente selecionada com critério e sem esquema ou camaradagem. Treinador particular, lá, era tão chique que recebia até nome estrangeiro: personal trainer. Saber da seriedade do lugar foi o que motivou o Silva a pagar verdadeira fortuna por pacote de seis meses para a mulher Martinha. Moça boa, de família humilde, casada com o médico há dois anos, a nova aluna caiu na mão do Almeida, grandalhão metido a galã, com vocação secreta extraordinária para estragar casamentos. “Não sei o que há. O que elas não têm em casa, querem comigo. Fazer o quê?”, disse certa vez, na balada, para amigo cretino. E o Almeida, enganador, cresceu o olho logo que viu a Martinha.

Mas a menina, do lar, embora tenha feito faculdade barata, não era de pouca inteligência ou absoluta falta de noção dos campos movediços da vida. Martinha, logo na primeira semana, percebeu que o Almeida não era tão profissional quanto fingia parecer. Havia algo a mais nos toques do personal. Especialmente, no início dos treinos, durante os alongamentos. Havia uma delicadeza nas mãos do sujeito que estava além do necessário. O treinador não era de falar muito. Por isso, conseguia manter o emprego e seguir em alta conta com o patrão. O que o chefão não sabia é que, na surdina, em mais de ano, o Almeida havia traçado todas as suas alunas casadas.

O casamento da Martinha com o Silva ia muito bem. Não fossem os plantões seguidos do marido, daria para dizer até que a moça vivia num canteiro de flores. O casal, viajado, se entendia desde quando se conheceram em Maceió, há três anos. Capricho do destino em clichê de novela, num dia de sol na praia. Ao avistar pessoa em apuros no mar, Silva, excelente nadador, não pensou duas vezes, caiu n’água num salto. No braço, resgatou a desconhecida. Respiração boca-a-boca profissional, Martinha voltou à vida. Ele, solteirão, aos 38, ela, perdida, aos 27. Ela havia acabado de levar fora de namorado capoeirista. Meses depois do episódio na Praia do Gunga, casório discreto em capelinha da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Casamento engorda, é verdade. Daí a necessidade do personal na academia de luxo. Acima do peso, a Martinha estava ainda mais gostosona. Habilidoso, conhecedor dos segredos do corpo, o Almeida foi provocando na aluna sentimentos obscuros. Carne fraca, espírito de porco. “Só falta agora a oportunidade”, pensava o treinador. Não demorou mês para que ela surgisse: lanchinho em restaurante natural. O maridão não apareceu para buscar a mulher na academia. Haviam marcado jantar e, depois, cineminha. Mas o Silva teve que estender o plantão para atender pedido de chefe amigo. O Almeida não desperdiçou a oportunidade: “Deixo você em casa”, disse o personal à aluna. Para casa que nada. Excitadíssimo, pegou Anel Rodoviário, rumo à quebrada e teve o carro prensado por carreteiro maluco. Presa às ferragens, Martinha engoliu seco quando viu o marido, chefe do Resgate, pronto para salvá-la mais uma vez.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 20/6/11

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cuidemos de nossas crianças


Espantam-me as notícias sobre qualquer tipo de abuso sexual. Especialmente as que envolvem crianças. É muito triste que abusem da inocência de nossos meninos e meninas. Ontem, soube de caso na Inglaterra, envolvendo um professor de 51 anos. Um absurdo absoluto a história. O criminoso, pai de família, fez vários filmes dele mesmo, abusando de seus alunos em sala de aula de uma escola primária de Somerset. É o fim dos tempos. Mas nem é preciso ir tão longe, no estrangeiro. Sabemos com triste frequência, infelizmente, de casos e mais casos no Brasil. E dentro de casa. Os criminosos? Padrastos, tios e, acreditem, até os próprios pais. Quando penso em absurdos assim, sou obrigado a concordar com os que dizem que o pior no homem é o próprio homem. Está nele mesmo a destruição e o fim. E se o abuso crescente de nossas crianças não é o fim, fica até difícil imaginar o que de pior está para ocorrer.

No início dos anos 2000, acompanhei caso trágico, envolvendo parentes de uma pessoa muito querida. Vamos chamá-la de Alfa, em respeito à delicadeza da situação. Um drama que culminou em sofrimento para muita gente. O criminoso era vizinho da irmã de Alfa. Era de uma família enorme, acima de qualquer suspeita. Filho de pai policial, linha dura, e de mãe generosa, o camarada parecia bom moço. Tinha namorada e trabalhava havia tempos num grande supermercado. A amizade entre as duas famílias foi crescendo a ponto de a irmã de Alfa deixar o casal de filhos ficar na casa vizinha, de lado. Apenas um muro fino, de chapisco, separava as duas residências. Estive lá certa vez, companhando Alfa para uma conversa séria com o pai do elemento, que, na ocasião, falou que o filho não seria capaz de uma monstruosidade daquela. Alfa já sabia de tudo. Ouviu do próprio sobrinho, de 5 anos, que o homem, marmanjo de 23 anos, oferecia agrados para tocar nele e na irmã, de 6. A história acabou em camburão para o infeliz, que, na manhã seguinte à dentenção, apareceu enforcado em cela vazia. Tudo foi um choque e tanto para a família de Alfa que decidiu se mudar para o Sul do Brasil.

Além de histórias como essa, próxima, sei de inúmeras outras distantes, noticiadas pelos jornais ou comentadas por conhecidos. Quando eu era garoto, o velho Botelho, cuidadoso, conversava muito comigo sobre esse assunto. Fazia questão de comentar notícias que envolviam crianças só para despertar a minha atenção. Hoje, com as facilidades da internet – sites, salas de bate-papo, MSN e redes sociais –, é preciso redobrar os cuidados. Tenho dois filhos já adolescentes. Minha ex-mulher e eu fomos especialmente atentos com a infância dos garotos. Depois da notícia do professor monstro (esse tal da Inglaterra), liguei para o velho Botelho, lá no Espírito Santo. Comentamos o assunto e ele, sábio e rouco, soprou do mar conselho aos pais de todo o mundo: “Orai e vigiai”.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 15/6/11

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O bonitão da bala chita


Dia de dor doída, de amor, em delegacia da Região Metropolitana. O delegado Tavares (55) teve pena do Antenor (42), despachante do Detran – gente boníssima –, incapaz de fazer mal a uma mosca. O doutor tinha dessas coisas: ia com a cara do sujeito e pronto. Com o Antenor foi assim. O delegado foi solidário e até estendeu a jornada. Trouxe caneca de café, cigarro, e teve conversa daquelas entre amigos do peito:

– Entendo, mas o senhor não pode ficar aqui.
– Só por um tempo, doutor. Não tenho mais para onde ir.

Horas antes foi um quiprocó. Era tardinha, em motel próximo ao Anel Rodoviário. Desconfiado da mulher, o Antenor instalou GPS no carro da companheira e ficou de butuca. Perto de casa, na periferia, a Romilda (38) dava mais uma aula de biologia em colégio particular. Sala cheia de estudantes do ensino médio. Adolescentes espinhentos e com as bocas em lata, reluzentes. Foi com o Chiquinho (15), mas bem que podia ser com qualquer outro, já que a professora, fogosa, tinha o diabo no corpo. “Você fica!”, disse ao garoto da primeira carteira, quando o sinal esganiçou o fim do turno. Esperou a turma deixar a sala e mandou na lata o costume: “Carona?”. O Chiquinho, que vivia de se acabar solitário pela professora gostosona, entrou no celtinha da Romilda, altaneiro, como se fosse visitar o paraíso. Para incendiar a situação, ainda no quarteirão da escola, no semáforo, a dona fez descer a calcinha sob a saia com habilidade de artista. Deu a tirinha vermelha de pano ao moleque que, na hora, pensou ver Jesus.

Estava em cima do aluno há mais de meia hora, quando o Antenor arrombou a porta da suíte de luxo e deu o flagrante: “Meu Deus!”. Aos gritos, o despachante caiu de joelhos diante da cama redonda, enquanto o Chiquinho se trancava no banheiro. Romilda, cínica, ainda acendeu cigarro e baforou em cima do marido. A polícia não demorou para atender ao chamado da recepcionista zarolha e acomodou todo mundo no camburão. O pai do Chiquinho, vereador, chegou rápido e não se esforçou para esconder o orgulho da situação. Abraçado ao filho, deixou a delegacia em festa: “Meu garoto!”. A professora prestou declarações e foi liberada. Quis levar com ela o marido, mas não conseguiu: “Some da minha vista!”, berrou o Antenor, magoadíssimo.

Ao cair da madrugada, o homem traído ainda pedia para ficar em cana. Desesperado, ao fim do café e de mais um cigarro, para encerrar a conversa amiga, disse em soluços: “Ah, doutor... amo tanto a desgraçada”. Resignado, o delegado Tavares mandou buscar a professora Romilda para a alegria do infeliz. O casal voltou para casa e se mudou de cidade para repensar a vida. Já o pequeno Chico, com o efeito da notícia em manchetes de todos os jornais, virou o bonitão da bala chita.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 13/6/11

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Disciplina e criação


O Galpão segue na empreitada Tchékhov (1860-1904), que chega a seu terceiro desdobramento. Dividida para se somar mais e melhor, a trupe segue imersa na obra do dramaturgo e contista russo, em namoro que começou em 2008, com o documentário Moscou, do cineasta Eduardo Coutinho. De 2010 para cá, o Galpão formatou projeto de dois elencos. O primeiro ficou responsável por Tio Vânia, sob a direção de Yara de Novaes, com Antônio Edson, Arildo de Barros, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Paulo André, Teuda Bara e Mariana Muniz, que está com casa lotada desde a estreia, no fim de abril. O segundo espetáculo, ainda sem nome, reúne no palco Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Lydia Del Picchia, Júlio Maciel e Simone Ordones. Trata-se (por enquanto) de fragmentos de peças e contos de Tchékhov, em montagem com estreia prevista para dezembro, véspera das comemorações dos 30 anos do grupo. O Estado de Minas acompanhou com exclusividade um dia de trabalho com o diretor russo Jurij Aischitz, de 63 anos, encenador do mais novo espetáculo da Rua Pitangui.

O primeiro contato com o efeito russo foi logo no encontro com Chico Pelúcio em restaurante modesto no Bairro Sagrada Família. “Então, Chico? O que o russo quer?” A resposta veio com sorriso de absoluta sinceridade: “Não sei”. Ainda é cedo para saber. Chico está em fase de limpeza, de desconstrução. Primeiro, Jurij está dando duro em “aparatos” técnicos individuais para que o ator – “pessoa viva” – possa renascer mais intenso e verdadeiro. Há uma confusão evidente, valiosa, no olhar do tarimbado artista. Daquelas vivenciadas apenas em processos vertiginosos voltados para a construção de verdades. Em meio à conversa, Chico pensou em repetir o prato. Mudou de ideia quando se lembrou de que faltava menos de meia hora para o início do treinamento com o russo: “Melhor não”, ponderou. Mesmo sem saber o que viria, queria estar em estado de prontidão.

No entorno da sede do Galpão, na Rua Pitangui, o caminho está um pouco confuso com as mudanças no trânsito local. No salão de ensaios, alguns atores já estavam esparramados pelo chão. Eduardo Moreira, Paulo André, Júlio Maciel e Antônio Edson alinhavam seus “eus”. Faltava pouco para o russo assumir o trabalho do dia. O elenco de Tio Vânia também participa da reunião. Só Teuda Bara ficou fora da sala para juntar-se ao grupo mais tarde. Num ritual de silêncio, todos se agrupam para nova imersão com o mestre-diretor.

O que se vê quando Jurij Aischitz assume é excelente aula de teatro. “Mantenham o sentimento acima do horizonte. Não é tensão, mas uma pausa antes de um longo caminho”, orienta, com a calma que lembra mestres como Grotowski ou Peter Brook. Com a humildade de eterno aprendiz, o Galpão se entrega até aos ensinamentos mais primários do líder soviético. Dizer “bom-dia” nas suas mais variadas intenções se torna instrumento para aula de honestidade. “Honesty” é palavra de ordem para o pesquisador, assistido pelo jovem diretor Diego Bagagal, que também atua como tradutor para que nenhuma palavra em inglês seja desperdiçada. O primeiro momento do trabalho não é muito diferente do que se aprende do lado de cá do mundo, em estudos mínimos de bioenergética ou nos aquecimentos vindos do teatro físico.

Jurij faz diferença ao falar sobre caminhos. O professor anuncia a metáfora do rio que deságua no oceano. Chama a atenção para a letargia na estrada fácil, que faz dormir o motorista. Explica a importância da via difícil para o estado de prontidão. Frases soltas conduzem o jogo de percepção: “Há uma crise no caminho. Você para e recomeça”. “Arrisquem-se”. Orienta que a forte presença do desfecho, do objetivo final, também está presente no começo. Que não é preciso atuar. O melhor é deixar a emoção chegar. É permitir-se. Comenta o exercício: “Estamos nadando antes de encher a piscina. Tenho que escutar o que está acontecendo comigo. É preciso ser honesto”.

O mestre russo fala sobre timing. Da importância do antes e do depois de cada evento. “Tome o seu tempo. É preciso de prontidão”. Propõe ação de contraposições para alimentar o inesperado. “O ator é um mestre que pode mudar de uma energia para outra”. O grupo, entre tapas e abraços, exercita os ensinamentos soprados por Jurij. O diretor demonstra e explica que deve haver o momento de transformação da energia, num diálogo de contrastes. “É fogo. É água. Não pode ser constantemente só fogo, só água. Quando não há mudança, não há vida. É necessário esse treinamento dentro da gente”. Ensina, carregado de paixão, que o ator precisa se reorganizar sempre. Propõe como dever de casa para o dia seguinte a criação de 10 elementos diferentes de ação. Palmas. Fim do primeiro bloco.


Intervalo

A conversa é pouca e o clima de trabalho. Diego Bagagal, assistente, prepara caixa contendo textos de Tchékhov. Não se sabe muito sobre o que vai ser montado. Sessenta contos estão sendo trabalhados, pinçados entre cinco centenas, além de fragmentos de peças. Entre elas, A gaivota e As três irmãs. Enquanto alguns deixam o salão, outros lancham ao fundo, atrás de arara contendo figurinos. Há quem investigue a vestimenta para exercício de cena e composição. Simone Ordones e Júlio Maciel, centrados, ficam irreconhecíveis vestidos dos pés à cabeça. Já Antônio Edson, o Tio Vânia, faz malabarismo pelo salão. Hábil, treina lançar o chapéu do chão à cabeça. Lydia Del Picchia e Inês Peixoto, anfitriãs generosas, parecem ser as primeiras prontas para o próximo bloco. Chico Pelúcio prepara câmera para registrar a segunda parte do treinamento. Teuda Bara já está em sala para assistir a mais uma aula do pesquisador nascido em Odessa.


Trabalho de mesa

Jurij Aischitz tem muito a dizer. Não se pode prever o resultado de seu trabalho. Mas é possível identificar seu foco no processo, na construção e no significado do sentido. O russo não quer personagens. Quer pessoas vivas. Fala de planejamento e demonstração como quem – assim como seu conterrâneo Stanislavski – sabe esquematizar o método. Diz que o ator precisa de 60 a 90 minutos de preparação para o próximo dia. Ensina que ele não pode se esconder atrás do personagem. “A ideia, por si só, é mais importante do que a máscara. É preciso focar no sentido e não no personagem”. Para exemplificar as diferenças entre forma e sentido, Jurij faz uso da ponta da camisa com as duas mãos, de maneira desconectada, para mostrar que, naquele momento, o que ele faz é menos importante do que o que ele diz. Faz ainda uso da caneta Bic em performance, para ilustrar a relação do “eu” com a ideia. Ora distante, ora conectados. Chico Pelúcio quer saber mais sobre a leitura de distanciamento do russo. “Seria algo parecido com Brecht?”. É diferente, o pesquisador explica. Segundo Jurij, o ator não está de fora, comentando ou criticando. É uma distância técnica de criação, de trabalho. Um paradoxo. A oposição dá intimidade à relação.

É o distanciamento pelo domínio absoluto do papel. Jurij resgata sua experiência como intérprete e fala sobre a magia da busca constante. “Você não precisa dar o personagem ao público. Você precisa fazer com que o público veja o personagem em você. É o público quem traz o personagem para fora, porque ele está dentro de você. É quando o papel se apropria do ator. É muito forte quando o papel começa a liderar. Honestamente forte para o ator e para o público. É intenso você se perder para o papel. Não tenham medo da palavra: é como uma morte. E este animal, que trabalhamos tanto para dominar, começa a viver”, pontua. O mestre, responsável por centro de pesquisa na Alemanha, onde vive desde 1992, explica que a forma pode ser grande, teatral, mas volta a dizer que, por dentro, é preciso ser honesto. “Aconteceu, aconteceu. Não aconteceu, não aconteceu. Somos pessoas vivas. Se somos verdadeiros, podemos permitir que o público crie as personagens”.

Ao cair da noite, breve intervalo para nova etapa. Depois de tudo que foi observado e aprendido, uma certeza: naquele galpão havia segredos do mundo. Foi a deixa para deixar o salão de ensaios. Mestre, assistentes e aprendizes precisam de intimidade para confabular com Tchékhov.

Estado de Minas - Jefferson da Fonseca Coutinho - 10/6/11

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Super-herói às avessas


Foi o assunto de todas as rodas entre amigos da praça. Verdadeira loucura de amor a manchete de nosso Aqui, terça-feira. “Herói de mentira”, estampou a primeira página. Abaixo, o complemento: “Homem suspeito de armar assalto para salvar a ex-companheira e impressioná-la é preso com os supostos ladrões”. Muito bem editado o material, é preciso dizer. Sou fã da repórter Andréa Silva, quem assina a matéria. A moça manda bem na apuração e no ajuntamento das letras. Não é a primeira vez que uma reportagem da Andréa é o assunto do dia entre os companheiros de batente. Da vez que uma enfermeira colocou fogo no companheiro, a história contada pela Andréa virou até roteiro de curta-metragem. Um grupo de estudantes de cinema já está em fase de captação de recursos para rodar o drama.

Não vai demorar o herói de araque também virar roteiro para filme ou seriado de TV. A história é boa demais da conta. Pode até parecer engraçada, mas não tem graça nenhuma a dor do amor. Conversamos muito sobre isso. Sabe-se lá, culpado ou não, o que se passa no coração desse moço, motorista. Não cabe aqui, defender ou acusar ninguém. Ao que tudo indica, de acordo com os fatos, pelos depoimentos dos garotos assaltantes, que, segundo a polícia, primos, receberiam R$ 50 pela empreitada, o Wanderley Ferreira, de 42 anos, está em maus lençóis. Perdeu o amor da Camila Alves, de 21, e ainda foi em cana. É esperar para acompanhar os desdobramentos da ocorrência. Há muito de ruim nessa história toda, é verdade. Mas o agravante, o pior de tudo, é a violência do assalto. Os adolescentes, um de 15, o outro de 17 anos, armados com faca, ainda agrediram a moça com chutes e pescoções. Uma lástima.

Na praça, tomamos conhecimento de muitas loucuras por amor. Reunidos, lembramo-nos de vários casos sem agressão. Tive uma conhecida que criou um admirador que mandava flores e bilhetinhos com declarações para ela. Tudo para provocar o ciúme do marido, que ela pensava não gostar mais dela. Só que ela pagava a flora com o cartão de crédito e o companheiro acabou descobrindo tudo. Mas nem precisava, porque a letra dos tais bilhetes de amor, que ela até tentava disfarçar, não deixava dúvida de que era a dela. Isso durou uns três meses. Com a história do amante imaginário, minha conhecida conseguiu dar novo fôlego para a relação, porque o marido acabou entendendo que alguma coisa estava errada.

O caso do Adelson – na época, acompanhei a história – é ainda melhor: uma passageira pedia para ele ligar e sair com ela em horários e lugares combinados, só para fazer ciúme na companheira lésbica. O bobo do Adelson, achando aquilo tudo muito excitante, levou a farsa adiante por um tempo. Chegou até a sair com a moça, de fachada, só para parecer que estava mesmo pegando a sujeita. A dona do lado de lá, brava que nem o cão, soube e quase pegou o meu amigo de pancada, estacionado na porta do prédio dela, no Bairro Sion. Tem uns três anos e até hoje a turma cai de gozação em cima do Adelson. Por amor dizer o quê? Sem crime ou violência de nenhuma natureza, vale quase tudo. Também eu, cá, faço as minhas loucuras. Já passei fim de semana romântico com a Violeta em Tiradentes. Lá, deixei os olhos da cara.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 8/6/11

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os carecas de Valadares

Amigos dos tempos de Colégio Técnico da UFMG se encontraram no fim de semana para comemorar 25 anos de formatura. Quarentões, foi uma farra com as barrigas e com a falta de cabelo de mais da metade dos homens. “Deus dá inteligência para alguns e cabelo para outros”, provocou o Eustáquio, carequinha, citando Shakespeare. O Cláudio, barrigudo que só ele, não perdeu o humor: “Isso aqui é fartura e vida boa”. As mulheres estavam ainda mais bonitas. “Como é linda a mulher madura”, suspirou o Gustavo ao rever a Glória, grande amor do passado. Da turma de meia centena, lá nos anos 1980, 22 estavam ali, reunidos em restaurante bacana na Pampulha. Num canto da enorme mesa de madeira, Chico, professor aplicado de escola pública na Região Metropolitana de Belo Horizonte, puxou a palavra com o Roberto:

“É uma emoção muito grande ver essa turma toda aqui, hoje. A gente era muito unido, lembra!? Hoje, estou meio à flor da pele com a história dos estudantes que rasparam a cabeça em homenagem a um colega com câncer. Foi lá em Governador Valadares. Você soube?” O Roberto apenas ouviu comentário e quis saber mais. “Alguém me disse que viu na TV”. O Chico estava por dentro da história e emendou: “Um rapaz de 17 anos, Arthur Gonçalves, estudante do Ensino Médio, estava fazendo quimioterapia aqui em Belo Horizonte, logo depois que soube da doença. Aí, quando voltou para Valadares, chegou na sala de aula e encontrou os amigos carecas. A iniciativa foi de um outro colega, Lucas Avelino, em prova de amizade. Outros tantos, até professores e a diretoria da escola, decidiram fazer o mesmo. Bonito isso, não!?”

Luciana, outra ex-aluna do Coltec, não se conteve e entrou na conversa: “Vi o vídeo no YouTube. Impressionante. Foi das coisas mais lindas que vi nos últimos tempos”. Toda a mesa, pouco a pouco, acabou participando da conversa. O Chico contou caso triste, distante léguas do exemplo em questão, vivido por aluna de escola em Nova Lima. A bela garota, de 14 anos, com problemas psicológicos, estava arrancando com as mãos o próprio cabelo. Alguns colegas, absolutamente sem noção, ficaram de gozação com a menina, ridicularizando-a por meio de apelidos. O professor estava triste com a falta de educação e respeito por parte de muitos estudantes brasileiros. Citou vários casos de bullying – relembrou o massacre na escola municipal de Realengo, no Rio de Janeiro – e revelou que quando estava pensando em mudar de profissão por ter perdido a fé no homem, soube do bom exemplo de amizade e respeito no interior de Minas. De pé, visivelmente emocionado, o professor arrebatou a mesa e sugeriu homenagem:

“Quero pedir licença aos companheiros de Coltec e oferecer um brinde aos carecas de Valadares. Esse moço de nome Lucas Avelino e seus companheiros carecas fazem a gente até voltar a ter esperança no ser humano. São atitudes assim, ainda que isoladas, que dão força para a gente continuar nas salas de aula. Vida longa ao garoto Arthur Gonçalves e a todos os nossos amigos verdadeiros”. Palmas. Muitas palmas.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 6/6/11

sexta-feira, 3 de junho de 2011

'Alice ao avesso' no Palácio das Artes

"Alice ao avesso", da Querida Companhia de Arte, segue em cartaz no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes. Hoje e amanhã, às 21h, domingo, às 19h. Informações: http://jeffersondafonseca.blogspot.com/2011/05/alice-esta-de-volta.html
Foto: Adriana Porto

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Indicados ao 8º Prêmio Usiminas Sinparc

(Teatro adulto)

TEXTO INÉDITO

Grace Passô
(Marcha para Zenturo)

Antonio Hildebrando
(180 dias de inverno)

Aristides Vargas
(Te quero como queres, me queres como podes

Éder Rodrigues, Marcos Coletta e Marina Viana
(A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos)

Primeira Campanhia
(Sobre Dinossauros, galinhas e dragões)



REVELAÇÃO

Ederson Clayton
Ator - Deuses

Fabrício Amador
(Iluminador-A casa do Sol)

Nando Motta
(Direção: 180 dias de inverno)

Marcelo Duque
(Ator- Loucas por Fama)

Bernardo Rocha
(Cabaret Brazil)


TRILHA SONORA ORIGINAL

Tatá sympa
(Te quero como queres me queres como podes)

Andersen Vianna
(Belatriz)

Barulhista / Luiz Rocha
(180 dias de inverno)

Sérgio Andrade Silva Nicácio
(A casa do sol)

Ladston do Nascimento
(A estrela sobe)



LUZ

Jair Raso (Bent)

Marina Arthuzzi (A última canção de amor deste pequeno universo)

Guilherme Bonfanti ( Marcha para Zenturo)

Felipe Cosse, Juliano Coelho, Vladmir Medeiros (Fausto(S!)

Bruno Cerezoli (180 dias de inverno)



CENÁRIO

Reis (180 dias de inverno)

Kleber Junqueira, Felício Alves, Paulo Viana (Bent)

Luiz Fernando Marques, Marcelo Castro, Paulo Celestino, Rodolfo Amorim (Marcha para Zenturo)

Dílson Mayron (Cuidado, o diabo também faz milagre)

Rogério Perez (Belatriz)



FIGURINO

(Gustavo Bones, Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya)
Marcha para zenturo

Marney Heitmann
(Nossa Cidade)

Paolo Mandatti / Cyntia Paulino
(A última canção de amor deste pequeno universo)

Paolo Mandatti, Mariana Blanco e Grupo Mayombe)
(A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos)

Marcelo do Vale
(Esperando Godot)




ATRIZ COADJUVANTE

Cidah Viana
(Velório a Brasileira)

Diva Carvalhar
(Cada um tem a sogra que merece)

Letícia Zappulla
(Locas Por Fama)

Mariana Blanco
(Sobre Dinossauros, galinhas e dragões)

Sidneia Simões
(Cuidado frágil)



ATOR COADJUVANTE

Gustavo Marquezini (Bent)

Luiz Rocha (Sexo)

Nivaldo Pedrosa (Nossa Cidade)

Marcos Alexandre (A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos)

Sérgio Lucca (Esperando Godot)



ATRIZ

Amanda Dias (It)

Ludmila Ramalho (180 dias de inverno)

Marina Arthuzzi (Sobre Dinossauros, galinhas e dragões)

Maria Alice Rodrigues (Te quero como queres me queres como podes)

Marina Viana (A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos)



ATOR

Camilo Lélis (Estado de coma)

Fabiano Persi (180 dias de inverno)

Harley Winter (Beatriz)

Léo Quintão (Sexo)

Leonardo Fernandes (Esperando Godot)



DIRETOR

João Valadares (Fauto(S!)

Juarez Guimarães Dias (Sexo)

Primeira Campanhia (Sobre Dinossauros, galinhas e dragões)

Sara Rojo (A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos)

Wilson Oliveira (Nossa cidade)



ESPETÁCULO

Bent

A pequenina América e sua avó sifrada de escrúpulos

Nossa Cidade

Sexo

Sobre Dinossauros, galinhas e dragões




(Teatro infantil)


TEXTO INÉDITO

Alvarito Mendes Filho
(Os Gatos do Beco)

Bruno Godinho e Débora Vieira
(A Fabulosa Redonda Flor)

Fernando Limoeiro e Conceição Rosière
(Tropeiros e Cantigas)

Lelo Silva
(Homem Voa?)

Nélida Prado
(O Conto da Ilha Desconhecida)


REVELAÇÃO

Adriana Soares
(Um Gato para Gertrudes)

Matheus Corrêa
(O Menino Poeta)

Tatá Santana
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Thiago Prata
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Vinícius Carvalho
(O Menino Poeta)


TRILHA SONORA ORIGINAL

Clayton Barros
(Homem Voa?)

Ernani Maletta e Tatá Santana
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Leo Grandinetti, Kalluh Araújo e Priscila Cler
(O Menino que Sonhava Colorido)

Mariana Lima e Bruno Godinho
(A Fabulosa Redonda Flor)

Pedro Delgado
(O Conto da Ilha Desconhecida)


LUZ

Giselle Fernandes
(Tropeiros e Cantigas)

Kalluh Araújo
(O Menino que Sonhava Colorido)

Lelo Silva
(Homem Voa?)

Lira Xavier
(O Conto da Ilha Desconhecida)

Luiz Fernando
(Os Gatos do Beco)



CENÁRIO

Juliana Buli e Bruno Godinho
(A Fabulosa Redonda Flor)

Kalluh Araújo
(O Menino Poeta)

Ivanil Fernandes
(Garatuja: Barba Azul e Outras Histórias)

Tim Santos
(Homem Voa?)

Tião Vieira e Mauro Xavier
(O Conto da Ilha Desconhecida)



FIGURINO

Cláudio Dias
(Um Gato para Gertrudes)

Conceição Bicalho e Ivanil Fernandes
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Kalluh Araújo
(O Menino que Sonhava Colorido)

Paulo Sudano
(O Conto da Ilha Desconhecida)

Regina Gontijo
(Homem Voa?)



ATRIZ COADJUVANTE

Andrea Baruki
(Garatuja: Barba Azul e Outras Histórias)

Aksan Lindenberg
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Daniela Perucci
(Homem Voa?)

Malu Chaves Godinho
(A Fabulosa Redonda Flor)

Silvia Andrade
(Garatuja: Barba Azul e Outras Histórias)



ATRIZ

Isabella Michielini
(O Menino Poeta)

Lenise Moraes
(A Fabulosa Redonda Flor)

Meibe Rodrigues
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Nélida Prado
(O Conto da Ilha Desconhecida)

Priscila Cler
(O Menino que Sonhava Colorido)


ATOR

Admar Fernandes
(Homem Voa?)

Léo Grandinetti
(O Menino que Sonhava Colorido)

Mauro Xavier
(O Conto da Ilha Desconhecida)

Renato Milani
(Os Gatos do Beco)

Rúbens Ramalho
(Mas que História é essa?)


DIRETOR

Antônio Hildebrando
(Quem Pergunta Quer Resposta)

Kalluh Araújo
(O Menino que Sonhava Colorido)

Lelo Silva
(Homem Voa?)

Mauro Xavier
(O Conto da Ilha Desconhecida)

Tião Vieira
(Tropeiros e Cantigas)


ESPETÁCULO

Homem Voa?

O Conto da Ilha Desconhecida

O Menino que Sonhava Colorido

Quem Pergunta Quer Resposta

Tropeiros e Cantigas



(Dança)


TRILHA SONORA/SELEÇÃO MUSICAL

Fabio Cardia – Escapada – Cia M. Nascimento
Colagem Musical – Cia de Dança Palácio das Artes
Breno Bragança, Caio Plinio, Gabriel Bruce, Natália Mitre, Rodrigo Nargel – Dialogos/Sostenuto - Ballet Jovem Palácio das Artes


CRIAÇÃO DE LUZ
Pedro Pederneiras – Se eu pudesse entrar na sua vida... – Cia Palácio das Artes
Cia Mario Nascimento – Escapada
Wladimir Medeiros – Alexandre Galvão – Um Lugar que ainda não fui... Meia Ponta Cia de Danças


CONCEPÇÃO CENOGRÁFICA
Coletivo de Criação – Se eu pudesse entrar na sua vida... – Cia de Dança Palácio das Artes
Mario Nascimento – Escapada – Cia Mario Nascimento
Arthur Assis – Um lugar que ainda não fui... – Meia Ponta Cia de Dança


FIGURINO
Acervo Cia de Dança Pal. Das Artes – Se eu pudesse entrar na sua vida ....
Mario Nascimento – Escapada – Cia Mario Nascimento
Patricia Caldeira / Marco Paulo Rolla – Diálogos/Sostenuto – Ballet Jovem Palácio Das Artes


CONCEPÇÃO COREOGRÁFICA
Criação Coletiva – Se eu pudesse entrar na sua vida... Cia de Dança Pal. das Artes
Luiz Arrieta/Rui Moreira – Diálogos/ Sostenuto – Ballet Jovem Palácio Das Artes
Mario Nascimento – Escapada – Cia Mario Nascimento


BAILARINO
Bruno Rodrigues –Diálogos/Sostenuto - Ballet Jovem Palácio Das Artes
André Rosa – Escapada – Cia Mario Nascimento
Rafael Bittar – Escapada – Cia Mario Nascimento


BAILARINA
Amanda Santana – Diálogos/Sostenuto - Ballet Jovem Pal. das Artes
Brenda Melo – Escapada - Cia Mario Nascimento
Lívia Espírito Santo – Se eu pudesse entrar na sua vida... Cia Palácio das Artes


REVELAÇÃO
Aryane Dâmaso - Dialpogos/Sostenuto - Ballet Jovem Palácio das Artes
Hicaro Nicolai – Diálogos/Sostenuto - Ballet Jovem Palácio das Artes
Rodrigo Antero – Dialogos/Sostenuto - Ballet Jovem Palácio das Artes


MELHOR ESPETÁCULO
Se eu pudesse entrar na sua vida... Cia de Dança Palácio das Artes
Escapada – Cia de Dança Palácio das Artes
Diálogos/Sostenuto – Ballet Jovem Palácio das Artes


Sucesso, sempre e cada vez mais, a todos os indicados! A premiação vai ser dia 15, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (Av. Afonso Pena, 4.001 - Mangabeiras), a partir das 20h30.


(Lista completa com os indicados ao 8º Prêmio Usiminas Sinparc/MG)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

De novo e outra vez


Não para de render a coluna da semana passada – “O Brasil do jeitinho brasileiro”. Não houve outro assunto entre os amigos da praça e exemplos não faltaram para a tal de “Lei de Gérson”, que explicamos neste quintal. Muita conversa, muito debate, tudo de novo e outra vez, mas numa coisa concordamos todos: o Gérson, jogador de futebol, nada tem a ver com a força negativa que a propaganda da tal marca barata de cigarro, lá nos anos 1970, ganhou. Até – pelo que se sabe – o Gérson é sujeito honrado, que merece respeito. Especialmente, por figurar com destaque na história do futebol brasileiro. Não merece ser lembrado mais a miúdo pelo comercial: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”. Mesmo porque, quem escreveu isso, certamente, foi um publicitário desses especializados no consumidor. E por mais esperto que tenha sido, é bem pouco provável que tenha imaginado o alcance de sua obra.

O fato é que, 35 anos depois, a questão rende. E como rende. O Plínio e o Amadeu que o digam. Os dois companheiros de batente tiveram que dar explicações sobre nossa última Bandeira dois. O Amadeu insiste em espinafrar os piolhos e pirueiros espalhados por Belo Horizonte e Região Metropolitana. “Escreve aí, Josiel. E pode publicar no Aqui. Vou repetir: pirueiro e piolho não só avacalham o trabalho honesto de muita gente, como também colocam em risco o pobre usuário do transporte clandestino. A gente passa por fiscalizações regulares e ai da gente se o carro não estiver nos conformes. Esse povo na ilegalidade roda de qualquer jeito. Até com pneu careca eu já vi. Sem falar que só andam chutados para fazer mais viagens. O usuário acha que está pagando mais barato, levando vantagem, mas está é colocando a vida em risco. E o pior: contribuindo para que outros desavisados façam o mesmo”, disse.

O Plínio tomou a fala e pediu registro: “Acho que não entenderam o que eu disse. Eu quis dizer que entendia um amigo que, passando o maior sufoco, colocou o carro dele, novo, para rodar e garantir a comida em casa. Não disse que o transporte clandestino é legal. Menos ainda que o apoio. Sei bem o tamanho desse problema. Talvez não tenha falado da maneira mais correta, porque só sei falar do meu jeito. Então, que fique bem claro que sou contra qualquer tipo de piruagem ou piolhagem, ok!?”. Pobre Plínio. A turma não perdoou e caiu em cima dele quando defendeu velho amigo que atuou como pirueiro por um ano em BH. O Osmar e o Adelson também entraram na pauta e, em coro, disseram que não tem colher-de-chá para pirueiro. “Nessa questão, o que está certo está certo e o que está errado está errado. Ponto final”.

O assunto é para mais de metro. Ainda mais quando voltamos ao caso citado pelo Amadeu, que soube de um vizinho que comprou carro com desconto especial em nome de parente deficiente. Aí, vieram exemplos e mais exemplos de gente que deu um jeitinho para levar alguma vantagem: carteirinhas falsas de estudante para pagar meia entrada em casas de shows e cinemas; abuso de autoridade policial e política. Uma vergonha. Descobrimos, ali, que cada um tinha ao menos um caso bem próximo para contar. “É. Danado esse povo brasileiro”, disse o Amadeu. “Em parte”, rebateu o Plínio. Foi aí, que começou tudo outra vez.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 1/6/11