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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cuidemos de nossas crianças


Espantam-me as notícias sobre qualquer tipo de abuso sexual. Especialmente as que envolvem crianças. É muito triste que abusem da inocência de nossos meninos e meninas. Ontem, soube de caso na Inglaterra, envolvendo um professor de 51 anos. Um absurdo absoluto a história. O criminoso, pai de família, fez vários filmes dele mesmo, abusando de seus alunos em sala de aula de uma escola primária de Somerset. É o fim dos tempos. Mas nem é preciso ir tão longe, no estrangeiro. Sabemos com triste frequência, infelizmente, de casos e mais casos no Brasil. E dentro de casa. Os criminosos? Padrastos, tios e, acreditem, até os próprios pais. Quando penso em absurdos assim, sou obrigado a concordar com os que dizem que o pior no homem é o próprio homem. Está nele mesmo a destruição e o fim. E se o abuso crescente de nossas crianças não é o fim, fica até difícil imaginar o que de pior está para ocorrer.

No início dos anos 2000, acompanhei caso trágico, envolvendo parentes de uma pessoa muito querida. Vamos chamá-la de Alfa, em respeito à delicadeza da situação. Um drama que culminou em sofrimento para muita gente. O criminoso era vizinho da irmã de Alfa. Era de uma família enorme, acima de qualquer suspeita. Filho de pai policial, linha dura, e de mãe generosa, o camarada parecia bom moço. Tinha namorada e trabalhava havia tempos num grande supermercado. A amizade entre as duas famílias foi crescendo a ponto de a irmã de Alfa deixar o casal de filhos ficar na casa vizinha, de lado. Apenas um muro fino, de chapisco, separava as duas residências. Estive lá certa vez, companhando Alfa para uma conversa séria com o pai do elemento, que, na ocasião, falou que o filho não seria capaz de uma monstruosidade daquela. Alfa já sabia de tudo. Ouviu do próprio sobrinho, de 5 anos, que o homem, marmanjo de 23 anos, oferecia agrados para tocar nele e na irmã, de 6. A história acabou em camburão para o infeliz, que, na manhã seguinte à dentenção, apareceu enforcado em cela vazia. Tudo foi um choque e tanto para a família de Alfa que decidiu se mudar para o Sul do Brasil.

Além de histórias como essa, próxima, sei de inúmeras outras distantes, noticiadas pelos jornais ou comentadas por conhecidos. Quando eu era garoto, o velho Botelho, cuidadoso, conversava muito comigo sobre esse assunto. Fazia questão de comentar notícias que envolviam crianças só para despertar a minha atenção. Hoje, com as facilidades da internet – sites, salas de bate-papo, MSN e redes sociais –, é preciso redobrar os cuidados. Tenho dois filhos já adolescentes. Minha ex-mulher e eu fomos especialmente atentos com a infância dos garotos. Depois da notícia do professor monstro (esse tal da Inglaterra), liguei para o velho Botelho, lá no Espírito Santo. Comentamos o assunto e ele, sábio e rouco, soprou do mar conselho aos pais de todo o mundo: “Orai e vigiai”.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 15/6/11

2 comentários:

Cacá - José Cláudio disse...

Olá, Josiel. Suas abordagens são sempe uma aula de sensatez, de lucidez e perspicácia.

Eu fico pensando o quanto a medicina (especialmente a psiquiatria e a psicologia) deveriam atuar mais intensamente sobre esses assuntos de ordem psico/sócio/moral. É uma doença que já está registrada há séculos, mas relegada ao mundo da criminalistica, das páginas policiais apenas. E a gente sabe que isso só não extirpa o mal pela raiz. Como é um problema que afeta de forma mais intensa as nossas emoções (por causa das crianças), a tendência é um sentimento generalizado de vingança ou uma punição da mesma intensidade que o ato do criminoso. Mas acho que é preciso atacar as causas, senão nunca vamos parar de nos horrorizarmos com esta barbárie patológica. Abraços. Paz e bem.

JFC disse...

Sua presença, Cacá, enriquece e muito este quintal.