Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 24 de março de 2010

Em favor do casal Hay

Alan e Fiona Hay estão proibidos de fazer sexo entre 22h e 7h

Parece piada mas não é, amigo leitor. Aconteceu no Reino Unido e ganhou destaque em jornais e sites de notícias de todo o mundo. Em algumas rodas da praça não se fala em outra coisa. O casal Alan e Fiona Hay está impedido pela polícia de fazer sexo em casa, no lugarejo em que moram na Escócia, entre 22h e 7h. Os vizinhos decidiram reclamar na delegacia e cortar o barato dos dois enamorados com a alegação de que eles fazem barulho demais. Inacreditável, não!? O Oswaldo está inconformado. O Lucílio também. Não entendem o absurdo da decisão dos homens da lei daquele lugar. “Isso é inveja! – palpitou o Oswaldo – Vai ver esses vizinhos não são chegados num aconchego”.

A repercussão da notícia também veio por e-mail, lá do Bairro Planalto, assinado pela gentil leitora Maria José. Diz assim: “Coitado desse moço estrangeiro. Ele disse que suas sessões de amor duram entre cinco e seis minutos apenas. Li também que ele é asmático e sofre de epilepsia. Pobre sujeito. Não pode nem curtir a mulher em paz. A Fiona Hay está indignada. Disse que sexo e televisão são os únicos divertimentos da família. Vê se pode, Josiel. Pois aqui em casa, no meu prédio, não tem disso. A gente se diverte mesmo. Às vezes a gente até deixa a janela aberta para levar um pouco de inspiração para a vizinhança. Em seis anos ninguém nunca reclamou. Publica o meu e-mail aí no Aqui. Beijo da Maria José”.

Está publicado, Maria José. Felicidades aí com o maridão. Violeta e eu já conversamos até sobre o caso do casal Hay. Lembramo-nos de dois namorados vizinhos em Santa Efigênia. Amavam-se com hora marcada. Impressionante. Dia sim, dia não, entre 6h30 e 6h45 ninguém mais dormia nas redondezas da Rua Euclásio. Uma loucura. Um dia, o moço – que era meu vizinho de fundos –, funcionário público, tomou-me o táxi e puxou o assunto. Perguntou-me se na minha casa a gente também se incomodava, já que estava correndo abaixo-assinado no seu prédio. Contou-me que estava para mudar dalí de tanto aborrecimento. Afirmou também que a mulher não abria mão da liberdade no leito. Pouco tempo depois, de fato, mudaram-se.

Luzia, nossa amiga de carteado, achou graça até no bafafá escocês. “Gente, não dá para reclamar disso. Acho que é até estimulante. Toda vez que ouço os vizinhos na intimidade me dá um troço que nem sei bem explicar o que é. Aí, o Roberto é que tem que dar conta do meu alvoroço. Mas, ultimamente, o pessoal lá do Conjunto Califórnia tem andado meio devagar. Já faz quase ano que o que reina lá é um silêncio de morte. Escreve isso aí, Josiel. Sei que você vai querer colocar na sua coluna mesmo”. Dizendo isso, encerrou o assunto com uma gargalhada que é só dela.

Bom, é isso. Atendendo a pedidos, nosso quintal de hoje é em favor de todos que, assim como o casal Alan e Fiona Hay, gostam de, vez por outra, fazer soar bem alto o amor.


Bandeira Dois - Josiel Botelho - 24/3/10

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