Vincent - Um solo de amor

domingo, 10 de janeiro de 2010

A arte na guerra


Filme de Kathryn Bigelow, lançado em DVD antes de chegar ao cinema, conquista público e crítica. Drama de revirar o estômago, que aborda o conflito no Golfo, estreia em fevereiro

Quem não quiser esperar para ver nas salas de cinema pode procurar pelo DVD. Guerra ao terror, de Kathryn Bigelow, obra incomum sobre o conflito no Golfo, que está dando o que falar entre os fãs da sétima arte e só chega às grandes telas do país em 5 de fevereiro. O filme, originalmente chamado The hurt locker, foi lançado em vídeo no Brasil e, em 2009, acabou passando batido nas prateleiras das melhores locadoras. Uma pena ter sido visto por tão poucos.

O que poderia ser apenas mais um longa-metragem de guerra sob a ótica estadunidense, como batelada de tantos já conhecidos, é trabalho para crítico nenhum colocar defeito. A história do roteirista Mark Boal, autor de No vale das sombras (2007), levada aos sets no Kuwait e na Jordânia, retrata com especial delicadeza a rotina de um pequeno grupo antibomba, a poucos dias de encerrar jornada e voltar para casa. Em terras e tempos de caos e morte, Guerra ao terror fala, antes de tudo, em salvar vidas.

Num ambiente hostil e desesperador, de pouca ou nenhuma esperança, os conflitos de jovens soldados americanos se misturam aos dramas de iraquianos comuns e insurgentes. O resultado é thriller demasiado humano, sem vilões ou mocinhos, à margem de interesses políticos questionáveis. Kathryn, Mark e companhia não levantam nenhuma bandeira. Apenas trazem à cena gente – invasor e invadido – que faz conta (ou não) de cada instante de sobrevida.

O sucesso que Guerra ao terror vem alcançando junto à crítica não surpreende. Não bastassem roteiro e direção acertados, o elenco é extraordinário. Isso sem contar com os rostos de fama vendidos no material promocional da fita. Ralph Fiennes, de O jardineiro fiel (2005), e David Morse, de Passageiros (2008), são coadjuvantes de luxo na trama. Quem manda na cena são dois protagonistas desconhecidos do grande público: Jeremy Renner e Anthony Mackie. Jeremy, inclusive, já levou o prêmio da crítica americana pelo filme.


O ano Bigelow

Este é o ano da cineasta Kathryn Bigelow. Com mais de 30 anos de carreira – começou com o curta The set-up (1978) –, a ex-mulher de James Cameron faz história com Guerra ao terror. Depois das indicações ao Globo de Ouro (filme, direção e roteiro) e de arrebatar, nos Estados Unidos, a Sociedade Nacional de Críticos de filmes (National Society of Film Critics), na semana passada, com três prêmios para seu longa (melhor filme, direção e ator), Kathryn deixa o patamar dos realizadores comuns.

Com reconhecida inclinação para a ação e o suspense, a diretora de Jogo perverso (1989), Caçadores de emoção (1991) e Estranhos prazeres (1995) consegue fazer de Guerra ao terror drama de revirar o estômago. Com roteiro, atuações e acabamento impressionantes, não vai ser nenhuma surpresa se no dia 17, quando serão anunciados os vencedores do Globo de Ouro, Guerra ao terror voltar às manchetes dos jornais e revistas especializados de várias partes do mundo.

Desde que começaram as indicações e premiações dos melhores de 2009, Kathryn vem deixando espaço abaixo nomes como James Cameron (Avatar), Clint Eastwood (Invictus), Jason Reitman (Amor sem escalas) e Quentin Tarantino (Bastardos inglórios). Ainda é cedo, mas já dá até para apostar no nome da bela californiana, de 58 anos, presença certa na lista das indicações ao Oscar deste ano.

Kathryn Bigelow
Principais trabalhos

Guerra ao terror (2008)
K-19: The widowmaker (2002)
O peso da água (2000)
Estranhos prazeres (1995)
Caçadores de emoção (1991)
Jogo perverso (1989)
Quando chega a escuridão (1987)
The loveless (1982)


Estado de Minas - Jefferson da Fonseca Coutinho - 10/1/10

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