Vincent - Um solo de amor

sábado, 27 de fevereiro de 2010

JackDaniels e Muleka42 (3)

Estradinha vazia para Macacos, a professora Maria Helena gastou pouco mais de meia hora para chegar. No local acordado para o salto da cerca já havia um jipe verde sujo de lama. Com o coração disparado, ela pensou: “Ai, meu Deus! É ele. E agora?”. Estacionou ao lado do off-road e não teve coragem de virar o rosto. De soslaio, apenas pôde ver o bigode do moço e o cigarrinho em brasa. No relógio do Honda Fit, luminoso, 16h42. “18 minutos. Tenho 18 minutos”, pensou, com as duas pernas numa bambeza só. Com as mãos no colo, num exercício de respiração profunda, daqueles que encorajam, ela percebeu a aliança reluzente no anelar esquerdo. Fingiu ignorá-la para deixar saltar a Muleka42 escondida dentro de si.

Suspirou indecências e foi tomada pela atmosfera de pecado daquela tarde de domingo. Livrou-se dos sapatos junto aos pedais de freio e acelerador. Passeou os pezinhos um no outro como quem gosta de carinho e liberou o cinto de segurança. No rádio, La vie em rose, de Edith Piaf. Sob o vestido azul em flores, a docente estava excitada como em outros tempos. O sexo pulsava, reacendido por JackDaniels, conhecido da sala de bate-papo. No jipe ao lado, noutro mundo, o bigodudo continuava a tragar o cigarro de seda. JackDaniels e Muleka42, soltinhos na internet, combinaram quase tudo. Menos a abordagem. Para ambos, comprometidos, seria a primeira vez fora do casamento.

Controversa, por insegurança e vontade, Maria Helena decidiu baixar o vidro escuro e mostrar-se ao desconhecido, que, às 16h52, sorria para ela. Quarentões, olharam-se com cumplicidade. Viram-se interessantes. Ele, fartos cabelos grisalhos na altura dos ombros largos e de olhos verdes. Ela, linda, estilo atriz internacional: cabelos bem tratados, rosto delicado, dentes perfeitos e nariz feito à mão. Ele matou a ponta da erva e ajeitou a cabeleira, enquanto ela retocava o batom. Foi ele quem desceu do carro, caminhou até a porta do Honda e, simpático, puxou assunto:

– Oi. É você?
– Acho que sim.
– É diferente.
– Como assim?
– É bem mais bonita.
– Obrigada.
– Na foto parecia morena.
– Que foto?

Nisso, chega um fuscão branco. Dentro dele, tatuada, a mulher da foto. Os três se olharam e começaram a esclarecer a confusão. Maria Helena quis ter certeza do engano:

- JackDaniels?
- Não... JohnnieWalker.


(Continua no próximo sábado)

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 27/2/10

Um comentário:

Anônimo disse...

jefferson
tudo bem com vc espero q sim
olha estou te escrevendo para te parabenizar de sua competencia e dizer q eu sou se fã
nao perco nenhum comentario seu no jornal ''aqui''.
pnao perco por nada so pq vc nos mostra como procurar entender os acontecimentos diante a sociedade
te adoro

meu nome e sérgio sou da cidade de espinosa ultima cidade de minas em divisa com bahia
e sou seu fã de carteirinha,parabens e continue sendo essa pessoa maravilhosa q vc é
te adoro msm,e torço muito por sua felicidade
tchauuu
té +++++++
fique com Deus
Espinosa 01 Março 2010