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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A cinética do invisível


"Chegamos assim ao âmago da questão: na vida, nada existe sem forma. A todo instante, especialmente quando falamos, somos forçados a procurar a forma. Mas devemos ter em mente que essa forma pode ser um obstáculo total à vida, que não tem forma em si mesma. Não há como escapar desta dificuldade, e a batalha é permanente: a forma é necessária, porém não é tudo".

"... Aceitar o mistério é muito importante. Quando o homem perde o sentimento do assombro, a vida perde o sentido".

Peter Brook, em A porta aberta


Portanto, a leitura obrigatória...

Em busca d’A Cinética do Invisível, Matteo Bonfitto envereda pela trilha aberta por Peter Brook e seus atores, em que o teatro se propõe a envolver o espectador em estados e espaços cênicos, nos quais os territórios das sensações e relações humanas do cotidiano se confundem com os espaços das vivências dramáticas como performação expressiva e representativa. Nessa caminhada, ao mesmo tempo exploratória e incorporadora, a arte teatral trabalha, a cada espetáculo, as forças orgânicas à existência corporal, mental e espiritual do homem, remontando, inclusive, às da ancestralidade no plano dos psiquismos e das projeções místicas, para chegar, pela abdução estética, ao que chama de cinética do invisível. A captação dinâmica de suas potências implica, por outro lado, nos recursos de um vasto cabedal de ciência, filosofia, religião, literatura e poética do teatro, nas suas formas prismáticas, pelo universo das culturas, das mentalidades do Ocidente e do Oriente. Com isso, o autor e o seu nume inspirador dotam o jogo do tablado e seus jogadores, não só de uma proposta estilística de materializá-los como originalidade de arte, mas também de uma via, senão metodológica, ao menos propositiva, de trabalhar o gesto, a fala, a respiração, o movimento, a expressão, a configuração e a simbolização cênicas, removendo ou neutralizando os clichês de desvitalizada organicidade e esquálida anima. Com este horizonte, cada nova peça, roteiro ou incorporação sorvem, em fonte límpida, as forças de uma renovação incessante e vigorosa do seu atuar no espaço cênico e de sua pulsação vital como pulsão do mundo envolvente. É o que faz de A Cinética do Invisível uma materialização visível. J. Guinsburg

Fica a dica: A cinética do invisível, por Matteo Bonfitto. Coleção Estudos 268. Editora Perspectiva (www.editoraperspectiva.com.br)

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