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segunda-feira, 5 de abril de 2010

A reinvenção do excesso

John Travolta (Pulp fiction) e Jonathan Rhys Meyers (Match point) estão para lá de entrosados em From Paris with love, em pré-estreia na cidade sob o título de Dupla implacável. Mas a parceria que rouba a cena está nos bastidores: Luc Besson (produção e argumento) e Pierre Morel (direção) repetem a dobradinha bem- sucedida de Busca implacável (Taken), protagonizado por Liam Neeson. Besson e Morel realizam bem mais que boas tomadas de perseguição e violência. Juntos, complementares, dão diferencial à ação e ao suspense por meio de boa história levada à tela com sacadas que prendem, divertem, surpreendem e tiram o fôlego.

Todo rodado em Paris, Dupla implacável conta o drama de um jovem funcionário da embaixada americana que sonha ser integrante da CIA. Apaixonado pela namorada, em função menor, de apoio à inteligência dos EUA, James Reece (Meyers) segue em exercício até que tem a incumbência de dirigir para o agente Charlie Wax (Travolta) em missão na França. Do encontro dos dois em diante, qualquer detalhe escrito aqui pode estragar as intenções do duo Besson e Morel. Claro que, como toda boa fita de ação, Dupla implacável tem lá os seus exageros. Mas vale esperar algo além de tiros, pancadaria e rotas fantásticas sobre rodas.

John Travolta, desde que revelado intérprete acima da média por Quentin Tarantino, em 1994, parece ter tomado gosto pelo trabalho de ator. Embora por cenas pareça repetir o tipo desequilibrado que compôs em O sequestro do metrô, Travolta exibe técnica e domínio de quem sabe construir verdades. Aos 56 anos, também demonstra bom preparo físico para dar conta de papel dos mais difíceis em ação. Na pele do pouco ortodoxo Wax, é o anti-herói esperto e rude. Já com Jonathan Rhys Meyers, que ganhou projeção sob o comando de Woody Allen, em 2005, está a maior carga dramática de Dupla implacável. Seu romântico enxadrista, no desdobramento das revelações do thriller, passa por notável transformação.

Na cruzada dos acertos em películas de ação, Luc Besson e Pierre Morel, chegados num bom casting, seguem implacáveis na reinvenção dos excessos. Como poucos, fazem do exagero diversão e arte.

Estado de Minas - Jefferson da Fonseca Coutinho - 5/4/10

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