Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Deus não cobra ingresso

Religião é assunto dos mais recorrentes em nossa roda de pensadores e palpiteiros. Futebol também. Mas sobre futebol, cá entre nós, fico com o pé atrás porque é tema que sempre atrai gente ignorante e sem noção. Basta dizer que, recentemente, apartei dois marmanjos, pais de família, engalfinhados, por causa da camisa cor-de-rosa do Galo. Francamente. Então, vamos à religião por interesse e, antes de tudo, respeito. Sinto-me muito à vontade para falar de Deus porque, desde garoto, sinto sua presença. Nasci evangélico, cresci budista, estudei o catolicismo, amadureci espírita e, hoje, praticante da meditação, ando bastante envolvido com a força do universo. Em tudo, aqui ou ali, uma única certeza: a existência de Deus e do poder infinito que há em cada um de nós.

Atento e curioso – aprendiz das lições do velho Botelho –, tenho amigos muito caros de todos os credos e crenças. Sinceramente, do fundo do meu coração, não tenho preconceitos. Já estive de corpo e alma em terreiros simples, assim como em templos dos mais luxuosos. Em todos os lugares, claro, Deus estava lá. Portanto, daí a minha intimidade com tudo o que é de Deus. E, amigo leitor, você sabe, Deus é bom. Infinitamente bom. Quem o conhece sabe bem do que estou dizendo. E para conhecê-lo perfeitamente bem, apenas feche os olhos e ouça o seu coração.

Sendo assim, tão filho do Homem lá de cima, leal e crente, resolvi escrever sobre o que chamo "teatro da fé". Confesso-me bastante impressionado com a performance de alguns pregadores. Já estive na presença de verdadeiros atores, iluminados pelo dom da performance. Outro dia mesmo, testemunhei um jovem que deveria ganhar um Oscar. Pregou por mais de hora com voz poderosa, interpretando Deus e o diabo. Sua voz de capeta era de assustar Satanás. Já Deus, manso e delicado. O moço deu show no conhecimento da Bíblia, de cor, soprando versículos. A plateia, milhares no grandioso templo, hipnotizada, foi arrebatada pela apresentação idefectível do pastor-garoto.

Como ele, posso dizer, conheci muitos. Missionários preparados para dar assistência e arrebanhar novas ovelhas. Nada de errado até aí. O mundo tem precisado cada vez mais de gente assim, conhecedora das boas lições da Bíblia. Melhor um milhão de fanáticos na igreja do que um bandido nas ruas, penso assim. O único fato que me incomoda profundamente é o lucro, por abuso, em nome de Jesus. Não pode estar certo. O dinheiro é invenção do homem, todos sabem. Não pode ser correto cobrar doações em nome de Deus. "O dízimo está na Bíblia", ouço sempre. Leio também, já que tenho um belo exemplar ilustrado à minha cabeceira. No entanto, é fato, o poder e a ambição desenfreada andam a alimentar falsos profetas aos borbotões.

Entendo perfeitamente os elevados custos para a manutenção dos templos; salários, alimentação e transporte das lideranças; das redes de comunicação e para a propagação do evangelho. Só não entra na minha cabeça qualquer mentira em nome de Deus, que, tão bom, jamais vai cobrar ingresso para o verdadeiro Reino dos Céus.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 7/4/10

Um comentário:

Walmir disse...

oh, mano blogueiro, eu que penso em Deus como invenção da mente humana, invejo sua fé.
Paz e bom humor.