Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sobre os filhos dos descasados

Hoje – segunda-feira para o amigo leitor –, há uma dose a mais de contentamento no traço da caneta que corre solta pelo caderno de papel pautado. Motivos não faltam. Gabriel e Tiago vieram passar o fim de semana comigo. É sempre uma alegria tê-los em casa. Na sexta-feira, vieram de Vila Velha com a mãe e o padrasto para casamento em Belo Horizonte. Pelo que soube, um evento de arromba. Mas quem fez festa pra valer fui eu, em boa companhia. Há muito não vivia sábado e domingo tão em família, pelas bandas de Santa Efigênia. Violeta comandou o cardápio com mãos de fada. Os rapazes e eu, claro, cuidamos da arrumação pela farra que promovemos. Afinal, não dá pra caprichar nos pratos sem aprontar aquela bagunça boa na cozinha. E Violeta caprichou.

Ajuda-me muito a mulher companheira. Especialmente com meus filhos. Um privilégio. Não há sujeito, pai ou mãe, divorciado e ajuizado, que não sonhe encontrar novo amor capaz de aceitar verdadeiramente seus laços com o passado. Não é fácil. Mas quando isso ocorre, amigo leitor, posso dizer, é uma bênção. Violeta completa-me por tudo. Ainda mais pelo respeito e pela consideração que tem pelos meninos. Conversamos à beça sobre a nossa relação e tudo o que temos alcançado nos últimos tempos. Jamais imaginei encontrar parceira tão madura. “Mesmo que seus filhos com a Norma não sejam meus, quero ajudar em tudo para que você seja o melhor pai do mundo. Porque ainda podemos ter os nossos e, quando isso acontecer, não quero que seja diferente”. Foi o que me escreveu num cartão, no dia em decidimos morar juntos.

Incrível a capacidade da Violeta de compreender o espaço dos filhos no coração de um pai divorciado. Não digo apenas pelas experiências infelizes, vividas com as outras moças que conheci depois da separação. Mas também pelas histórias dos amigos próximos, quase irmãos. O Lúcio, por exemplo, apaixonado pela filha Karine, de 5 anos, enfrentou a maior barra com a ex-namorada. A moça morria de ciúmes da menina. Havia fim de semana, quando os três estavam juntos, que a namorada fingia que a criança nem existia. A gota d’água foi tapa que ela deu na boca da pequena Karine. O Lúcio chegou na hora e ficou arrasado. “Bateu na menina só porque ela não parava de chorar, Josiel”, contou-me. Depois disso, eles terminaram. Até tentaram mais umas duas ou três vezes. Não teve jeito. E a Lúcia, colega de faculdade? Separada, com filho pequeno, também reclama falta de sorte no amor. Revelou-me outro dia, triste, que não consegue encontrar ninguém que sabe lidar com sua condição de mãe descasada.

Esse assunto vive a rondar-me o pensamento. Hoje, agradecido pelos últimos anos, faço homenagem à mulher-amiga e aos filhos companheiros. Minha maior satisfação no momento é perceber que, com a ajuda da Violeta, Gabriel e Tiago, muitíssimo amados, já sabem bem a diferença entre o que é distância e o que é ausência.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 28/4/10

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