Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O saracoteio de Vanessa da Mata

Nem a acústica inadequada para show tão intimista foi capaz de esfriar os fãs da cantora Vanessa da Mata, que, aos milhares, lotaram o Chevrollet Hall na véspera do feriado de Tiradentes. Do lado de fora, pouco antes de "Mulheres brasileiras" começar, o caos de costume no entorno da arena. Quem já estava do lado de dentro, pelo celular, acalmava os amigos engarrafados. Os 30 minutos de atraso até que favoreceram a multidão que ainda estava para chegar. Não dava mesmo para perder a entrada da cantora, trajando luz. Ao abrir o foco, lá estava ela, descalça, vestida de sol, num amarelo-ouro esvoaçante para saracotear o público.

Vanessa da Mata, performer, dona de voz e sensibilidade arrebatadoras, emendou um sucesso atrás do outro, acompanhada em coro da boca do palco às galerias. Mesmo não se ouvindo com clareza as letras das músicas, dava para escutar os seguidores da intérprete, numa só voz, aportada por banda de primeira linhagem: Kassim (baixo e direção musical), Gustavo Ruiz (guitarra), Donatinho (teclados) e Stephane San Juan (bateria). Mas se na platéia, um ou outro reclamava por causa do som, bastava a simpatia – pomba gira, meio sereia, meio cigana – rodar o vestido, como em “Baú”, que tudo ficava bem. O chato foi não entender direito a pouca conversa da Vanessa no palco. Pareceu bastante simpática a performance da cantora, imitando o sotaque mineiro, ao telefone, com parente no Triângulo. Uma tia, de Ituiutaba, presumo.

As participações especiais, embora pequenas, foram show à parte em "Mulheres brasileiras". O duo com Fernanda Takai mandou bem “Cadeira de rodas”, de Fernando Mendes, e mostrou desenvoltura com o baião de Gilberto Gil. Tão distintas, juntas, ficam ainda mais encantadoras. Com Maria Gadú não foi diferente e Vanessa deixou que a menina tímida de jeito moleque mostrasse porque, desde que revelada ano passado, vem conquistando plateias de gosto requintado. Que vozeirão tem a pequena. A turma do gargarejo gostou e quis mais, pedindo em coro por Gadú. O que só ficou para o final, quando as três – anfitriã e convidadas – improvisaram “Por enquanto”, de Renato Russo.

Show realizado, agradecida, a equipe (palco e bastidor) se curvou diante do público que aplaudia com gosto e entusiasmo. Certamente, feliz da vida com as duas horas na companhia de Vanessa. Nos corredores, rumo aos portões de saída, o povo exibia satisfação. De volta à rua, para alguns a alegria durou pouco, já que estavam com carros presos, estacionados nas calçadas da Avenida Nossa Senhora do Carmo. Cena comum na BH engarrafada, tomada por motoristas de pouca ou nenhuma educação.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 21/4/10

Nenhum comentário: