Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aliados da paz

"A religiosidade impregnada em nossos atos alimenta a fé e ‘remove montanhas’. Aliás, o grande entrave dos mineiros: as montanhas! Benditas pelo belo relevo, pelo aconchego... e malditas pela limitação: êta povo difícil, meu Deus!"


Affonsinho e Fred Heliodoro, pai e filho, em mais uma edição do Cultura da calçada


“Jeová e seus amigos”, assunto da semana passada, rendeu muitas mensagens. No sábado, a edição do Cultura na calçada foi um sucesso. O churrasqueiro Bin Laden cortou um dobrado para atender a demanda. Eugênia Dornellas, leitora querida, esteve presente com e-mail dos mais bacanas: “Adorei sua coluna comentando do nosso amigo Jeová. Precisamos muito abrir a cabeça dos mineiros para novos conceitos. Segue abaixo um pequeno desabafo acerca das preferências ‘mineirísticas’. Se quiser publicar, fique à vontade... Um abraço e sucesso!


Li o texto e, claro, aprovei. Divido, então, com vocês, amigos leitores, o desabafo da Eugênia: “Mineirice, mineirada, mineirando...

Sou mineira da gema, nascida e criada em BH, na Contorno, logo aliiii (de mineiro)... comentar sobre o ‘mineirês’ já não é novidade, é um ‘jeitin’ gostoso de falar, de engolir sílabas sim, de arrastar o s ‘mess...’, de reforçar a exclamação também, uai!

A desconfiança, enraizada em nosso ser, faz parte do reconhecimento da área, de um aprendizado para não dar passos em falso e avançar com segurança.

A religiosidade impregnada em nossos atos alimenta a fé e ‘remove montanhas’. Aliás, o grande entrave dos mineiros: as montanhas! Benditas pelo belo relevo, pelo aconchego... e malditas pela limitação: êta povo difícil, meu Deus! É que nem São Tomé, sô, tem que ver pra crer. Vai falar pro mineiro que tem algo novo acontecendo pra ver se ele comparece, se ele arrisca, se ele ousa conhecer, sem alguma indicação do pai, da mãe, do amigo ou do jornalista. ‘Num vai de jeito ninhum’, quer apostar?

Então, agora é sério, é justamente sobre este assunto que gostaria de comentar. Trabalho com arte e cultura há alguns anos aqui nesta terrinha boa, mas, confesso, é extremamente árduo esse caminho. Nada contra os axés da vida, o funk (que, na sua raiz, é fabuloso!), o sertanejo (ah, a doce viola dos interiores!) e outras modalidades musicais, os shows desta galera estão lotados, entupidos, enquanto os ritmos locais, a música mineira, o rock, os trabalhos autorais, nossos talentosos e incomparáveis artistas estão a ver navios, perambulando por aí, batendo de porta em porta, implorando para soltar seu canto. Parece-me que a mineirada não se propõe a abrir a cabeça para o novo, o diferente, o inusitado, eles vão onde tem fila, sem saber ao certo o que verão (ou inverno, ou outono...), entram no bolo e está ótimo: ‘Nú, estava bombando lá ontem’...´’e assim caminha a humanidade, mais um boi na boiada... e por que não, afinal, ‘os brutos também amam’.

Mas, graças a Deus, existem eventos como o Cultura na calçada: acordes mágicos vindos de uma banca de revistas, artistas mineiros fora da mídia, trabalhos próprios, riquíssimos. Ali, pessoas do bem, em uma calçada lotada de arte, onde cada participante pode tocar sua música sem medo de ser feliz, sem medo da crítica, sem medo de não ter público, onde poetas colocam suas palavras, artistas mostram seus quadros. Esta legião de anjos criadores expõe suas criaturas a quem, de fato, os valoriza e os repeita.

Obrigada ao Jeová e à Simone, mentores do Cultura na calçada. Obrigada a todos os que compactuam, prestigiam e fortalecem esse importante movimento.

Vamos fazer diferente, caríssimos mineiros, vamos avançar as montanhas e abrir novos e belos horizontes, vamos ter coragem e atitude para descobrir o novo, o lindo, o incomum...

Saudações culturais, vida longa aos militantes da arte e da paz!”

(Bandeira Dois - Josiel Botelho - 2 de setembro de 2009)

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