Fantástico - Vai fazer o quê?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dos perigos da gripe A (H1N1)

O assunto é dos mais sérios. Nem cabe graça. No domingo, véspera de feriado, amanheci como se tivesse levado uma surra. Foi difícil sair da cama. Violeta constatou a febre, que beirava os 39oC. Fora a garganta um pouco doída, nenhum dos outros sintomas alarmantes, como falta de ar; dor no peito ou barriga; comprometimento neurológico (alteração da consciência, convulsões etc); náusea com vômitos frequentes; sinais de desidratação; insuficiência respiratória ou hipotensão. Além do estado de fraqueza, nada que pudesse me assombrar com a tal gripe A (H1N1).

No termômetro, 38,5oC. Remédio para baixar a febre goela abaixo, fiz-me forte para tranquilizar a Violeta. Ela, preocupadíssima como toda mulher-companheira, insistiu: “Melhor não facilitar. Vamos ao hospital”. Eu não queria ocupar plantão, sabendo que a cidade está assim de pacientes com quadro de maior risco que o meu. Foi então que concordamos que, se a febre não baixasse, buscaria pronto-atendimento. Combinamos também, por segurança, nos manter distantes por mais de metro. Dei a ela a máscara que ganhei do Adelson, amigo e parceiro de praça (se o caro leitor encontrar um taxista mascarado por aí, não tenha dúvida, é o Adelson).

Ficamos em casa na boa preguiça dos apaixonados. Apesar da distância da bela mascarada, nos divertimos até. Depois do almoço, fizemos sessão de cinema e emplacamos um filme atrás do outro. Mais tarde, tempo para os estudos: ela, para concurso público; eu, para encarar a UFMG. A febre subia e descia na medida do efeito da Novalgina 1g. Achei melhor dormir na sala. De manhã, febre. Minha tosse pareceu ter acordado o velho Botelho lá em Santa Mônica. Telefonou-me cedo para saber como andavam as coisas por estas bandas e sugerir que eu fosse ao médico imediatamente: “Não facilite, meu filho. Essa gripe é assunto sério”.

Violeta e eu seguimos para o hospital. Fui atendido sem demora. Minha acompanhante ficou em outro setor, devorando um livro de mais de 500 páginas. De cara, mascararam-me. Na triagem, a moça de olhar santo, depois de entrevista, deu-me adesivo. “O que significa?”, perguntei. E ela, pragmática: “Que o senhor não vai morrer nas próximas 24h”. Fiquei bastante feliz com a resposta. Sala de espera cheia, hora mais tarde, fui encaminhado à doutora Gisele. Um encanto de profissional. Examinou-me como quem cuida de criança. Generosa, orientou-me da melhor maneira possível. Diagnosticou quadro sem gravidade, mas, por precaução, sugeriu repouso e observação por três dias.

Mascarados, Violeta e eu fomos à farmácia aviar receita e passamos na locadora. As pessoas nos olhavam como extraterrestres. Pode até haver algum exagero em relação a essa pandemia. No entanto, gosto demais da vida para contaminar alguém ou ser abatido por um resfriado. Todo cuidado é pouco com essa H1N1.

(Josiel Botelho - Bandeira Dois - 9 de setembro de 2009)

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