Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Um dia a gente cresce


Meus amigos mais otimimistas dizem que nem todo mundo cresce. Os mais pessimistas são enfáticos: “O povo tá andando é para trás, Josiel”. Desculpe-me, Sueli, Osmar, Manolo, Gustavo e Betina. Mas prefiro acreditar que todo sujeito de mínima saúde mental é capaz de crescer. Os desvios são fases. Por que não? Tempos bem particulares: para alguns, longos, quase intermináveis, é verdade; para outros, são curtos, apenas pelas lições da vida. O comportamento no trânsito é uma triste amostra do assunto em pauta. Sou motorista há mais de 20 anos. Gosto de dirigir. Sempre gostei. Já cruzei estradas de norte a sul e rodei as principais capitais do Brasil. Isso, para dizer que já vi de tudo no volante.

Diariamente, testemunho atitudes inacreditáveis em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Na série que mais me impressiona está a moçada irresponsável, que enche a cara nas lojas de conveniência dos postos de gasolina da cidade e depois vai para o volante. Tem um ponto, então, nas Seis Pistas, atrás do BH Shopping que é caso de polícia. Há no lugar, além das bombas de combustíveis, um bar, uma farmácia e uma locadora de filmes. Os playboys usam e abusam da bebida e depois ainda vão emendar a madrugada. Já presenciei episódios que dariam um livro. Também ouvi de amigos histórias absurdas passadas na região, famosa pelas baladas e pelos “pegas” de automóveis nos anos 1980.

Há pouco tempo, perto dali, na MG-30, uma família em carro pequeno se desfez ao chocar-se de frente com um sujeito bêbado, “chutado”, numa cabine dupla. Teve também, há cerca de três anos, um outro motorista alcoolizado, na contra mão da Raja Gabaglia, numa madrugada, que tirou a vida de um pai de família que seguia para o trabalho. Todos soltos, livres para voltar a matar. Esses dois casos, de desfechos trágicos, ganharam destaque na mídia, assim como o recente desastre na BR-356, na entrada para o Bairro Belvedere, quando um jovem perdeu a vida e causou comoção na cidade. As histórias se repetem nas barbas do poder público e pouco, muito pouco, é feito para combater a falta de juízo na direção.

Fora as tragédias, temos os casos diários, que não vão para o noticiário. Casos e mais casos de abusos de velocidade, de desrespeito às leis e à vida, que assombram o cidadão de bem. Qualquer sujeito de juízo, em sã consciência, sabe que precisa tratar a direção com a mais absoluta responsabilidade. Conheço um moço, filho de passageiro das antigas, que é desse time que não amadurece. Já tem quase 30 anos e vive às custas dos pais, com carrão potente e cheio de amigos que gostam muito de beber em postos de gasolina. Outro dia, num posto da Savassi, de esquina, tive a infelicidade de vê-lo beber e assumir a direção. Com ele, um rapaz e três moças em minissaias e garrafas nas mãos. Ele entrou no carro lotado e avançou o sinal, rompendo o cruzamento com Avenida Getúlio Vargas. Seguiu em alta velocidade a Rua Rio Grande do Norte, sentido Avenida Nossa senhora do Carmo.

Aquilo me chateou. Sei bem da luta do pai, empresário, homem sério, de responsabilidades, que faz uso de táxi quando toma uma taça de vinho com a mulher. Era madrugada. Fui para casa e fiquei com o assunto na cabeça. Mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, pelo bem ou pelo mal, esse moleque vai crescer. Melhor que seja assim.

Bandeira dois - Josiel Botelho


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