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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O voo de Dadá Butantã



Quando Dadá Butantã meteu o pé na bunda do marido para ficar com o melhor amigo do sujeito, foi um acontecimento. A família Butantã ficou bastante dividida. A mãe empinou o nariz em sorriso de canto de boca: “Coragem! Coragem!” Já o pai, desapontadíssimo, suspirava doído: “Vergonha. Vergonha!”. Longe do casão da Zona Sul, o moço magrela, traído, sofria horrores, arrasado pela sinceridade da mulher.

Dadá Butantã era mesmo do quadril virado: era dada, dadíssima! “Essa daí não senta no colo de estátua porque pedra não faz movimento”, diziam em boca miúda os funcionários da família endinheirada. Em cinco anos, só no prédio onde dava expediente, a moçoila fez fila: Gravata, Boto, Beiçola, Pico, Badu, Augusto, Kim, Noca, Jorjão, Vandinho, Olho de Vidro, Tripé e Neneu – sem falar dos que ela não soube o nome. Dada era… como se diz... isso: chuchu na cerca.

Depois que tatuou as costas, então… Foi um arraso! Dadá amanheceu um dia decidida: chegou no Munrá, tatuador e biscateiro, e sussurrou: “Manda ver, bebê… põe asinhas nas costas da Butantã! Vai! Quero dar movimento aí atrás…entende? Movimento”. Obra de artista. Munrá fez duas asas na traíra que ela ficou que nem peixe-voador: soltinha, soltinha. Tatuada, ficou mais difícil para o marido segurar a “tchutchuca”.

Mas com o Dudu, amigo de infância do companheiro, foi diferente. O DJ arrebatou Dadá de tal maneira que ela jurou exclusividade: “Só sua! Daqui pra frente, meu amor, nem com meu marido!”. E assim o fez. Trancou as pernas e despachou o corno: “Acabou! Amo outro. De hoje em diante, preste atenção, sou só do Dudu! Ouviu bem? Do Dudu!”. O marido teve vontade de morrer. “Desgraça! Desgraça pelada!”.

Depois da separação, Dadá tornou-se mulher de bem. Arrependida pela tatuagem, escondeu as asas e nunca mais ficou de costas. Nem para o Dudu. “De frente. Só de frente!”, sussurrava. Os gêmeos, filhos com o Dudu, ainda não tinham completado três anos, quando ela recebeu telefonema:

– Dadá Butantã?
– É ela…
– Seu marido vai fugir com outra. Fui!

E assim foi: Dudu, enfeitiçado por loura de olhão azul, nunca mais voltou. Sem malas, fugiu para a Austrália com capoeirista assanhada, 20 anos mais moça que a mulher. Dadá, trinta e cinco quilos mais gorda, voltou para o casão dos Butantã. Dizem que tá na pista... outra vez com as asinhas de fora.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho

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