Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Flores para Violeta

Violeta vai florir. Nem é preciso dizer o quanto isso me alegra. Preocupa-me também, naturalmente. Afinal, junto dos filhos, como o leitor sabe bem, há uma série de transformações na vida. No entanto, pai de dois jovens, já bem crescidinhos, que me dão muita alegria, só posso dizer que me sinto imensamente prestigiado por Deus com a novidade. Honra-me a paternidade. De tudo vivido até aqui, nestes 40 anos, uma única certeza: de todo o bem que há em mim, o melhor vem do amor incondicional pelos filhos. É amor que não se acaba, aumenta. Olho para a Violeta dormindo, companheira de tanto tempo, e vejo um sorriso de mãe se preenchendo de luz. Ela ainda não sabe o tamanho da beleza que tudo isso significa. É cedo. Tudo ainda é muito novo. Não foi planejado. Tínhamos planos de viagens e estudo no estrangeiro. Com a gravidez, estamos revendo as prioridades de nossas economias e traçando novo cômodo para a casa, cheios de alegria pela graça do infinito.

Filhos. “Se não os temos, como sabê-los?”, escreveu o poeta Vinícius de Moraes. Quem acompanha nossa Bandeira Dois, desde 2006, sabe bem que, com relativa frequência, voltamos ao assunto. Uma obsessão – no bom sentido, é claro. Não há um só dia em que eu não pense na importância de nossos frutos. No amor, na presença e na educação daqueles que nos são caros. Antes de pai atento, cresci filho. Cheio de falhas, ausências, mas tomado de respeito pelo velho Botelho. Um homem de conduta exemplar, que já pagou caro demais pelas fraquezas do passado. Todos nós, humanos, erramos muito, é verdade. Entretanto, o que faz diferença está na postura de cada um diante da compreensão das próprias ações. O velho Botelho, da meia idade para frente, soube encarar suas sombras. Assim, enche-me de orgulho e me faz homem de bem, batalhador pelo bom relacionamento com os filhos.

Ao meu lado, a melhor companheira: Violeta. Mulher de bom coração, sofrida, de alma pura e de família encantadora. Enfrentamos muitos altos e baixos – quem não os têm? –, mas estivemos sempre próximos no amparo de nossos pedaços. A felicidade é uma porta que abrimos por dentro. Isso, aprendemos juntos. Descobrimos também que o amor de verdade, aquele que não se abala, é construído na soma do melhor e do pior que há em nós. E que o resultado desse encontro precisa ser positivo para os dois. Na companhia da moça dos cachos dourados e das sandálias rasteiras, artista, aprendo a dar conta de mim e tento ser melhor a cada dia. Mesmo sem dar conta de tudo, não desisto da recuperação ou do aprendizado. Violeta, estudiosa, aplicada, me fez reencontrar o eixo. Trouxe-me de volta ao centro da minha paz. No ventre da mulher amada, menino ou menina, bem-vindo! Também já é seu o meu coração.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 22/2/12

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