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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Que tal um "Kit Educação"?


Não dá para virar as costas para a onda de violência que esculacha as escolas de todo o país. Nem é necessário ser caçador de notícias, leitor assíduo de jornais e sites jornalísticos das grandes redes de comunicação, para ficar sabendo da falta de respeito por parte de alguns alunos das redes públicas e particulares de ensino. Está na boca do povo. Em Belo Horizonte e Região Metropolitana são muitos os casos de violência contra educadores.

Na semana passada, em Contagem, imagem de adolescente de 15 anos, agredindo diretora com chute, estarreceu o Brasil. O que se viu, segundo quem convive com o drama da falta de educação nas escolas, é pouco perto do que se vê diariamente. São muitas as reclamações de amigos professores que já não sabem mais o que fazer para lidar com a situação. "Ano passado, teve até um professor assassinado por um aluno numa escola de bacana, próxima à Praça da Liberdade", relembrou Adelson, domingo, durante o aniversário do Pedrão.

A turma, apesar do clima de festa pelos 50 anos do amigo boa praça, tirou um tempinho para debater assunto sério, pelo futuro de nossos filhos e, também, dos filhos de nossos filhos. "Educação é coisa séria. Não dá para tratar o assunto como vemos por aí. Sou de uma época em que os professores eram tratados como mestres. Havia um regime de disciplina exemplar. Na minha classe, lembro-me bem, ai de quem desse um pio em sala de aula enquanto nosso mestre passava a lição no quadro. A gente até tinha que levantar a mão para pedir permissão para falar", relembra o aniversariante, ex-aluno da Escola Municipal Santos Dumont, em Santa Efigênia.

Com a Sueli, que estudou no Marconi, não era diferente: "Até nosso uniforme tinha que estar sempre limpinho e bem passado. Na época, não entendia. Hoje, vejo claramente que o uniforme alinhado era apenas reflexo da boa postura que todo aluno devia manter", comenta a boa companheira de batente.

Problemas de indisciplina sempre existiram, é verdade. Mas eram casos isolados, resolvidos, quase sempre, com uma advertência simples. Quando muito, em caso extremo, uma suspensão bastava para que o baderneiro tomasse jeito de gente correta, de juízo. No nosso grupo, entre os 15 com mais de 35 anos, ninguém testemunhou expulsões ou situações de desentendimento grave, envolvendo alunos e educadores. Os tempos eram outros.

A educação na escola era a extensão da boa educação recebida em casa e vice-versa. Lembro-me, quando criança, das boas lições do velho Botelho. Numa ocasião, no jardim, ganhei uma caixa pequena de lápis de cor de uma coleguinha. Quando cheguei em casa, feliz da vida com o presente, meu pai viu a caixinha e ficou uma fera.

Pensou que eu a tivesse roubado. Nem Jesus para fazer o velho Botelho acreditar que era um agrado da Camila. O coroa linha dura só sossegou no dia seguinte, ao ouvir o sorriso da mãe da bela confirmando o mimo. Ainda ganhei um carinho da dona Edna. Tem coisas que a gente não esquece na vida.

País sem educação não tem futuro. Alguém tem dúvidas disso? Está passando da hora de discutirmos com mais seriedade a questão da falta de limites por parte de nossas crianças. Em Brasília, falam em kit isso, kit aquilo. Que tal, senhores, um kit Educação?

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 31/8/11

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