Vincent - Um solo de amor

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tem Van Gogh no Teatro da Assembleia


Neste fim de semana, "Vincent e O comedor de batatas" se apresenta no Teatro da Assembleia (Rua Rodrigues Caldas, 30 - Bairro Santo Agostinho - Tel. 2108-7826). Hoje (sexta) e amanhã (sábado), às 21h, e domingo, às 19h. Boa oportunidade para quem ainda não viu nosso espetáculo inspirado na obra do pintor Van Gogh. Com alegria, divido a cena com dois bons companheiros: Emílio Zanotelli e Ferdinando Ribeiro. Os ingressos custam R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia) e R$ 10 (convênios). Apareçam!

Ano passado, no jornal Estado de Minas, por ocasião das comemorações dos 15 anos de "Vincent", João Paulo, editor de Cultura, escreveu:


Luz e sombra

Programa duplo reúne as peças Vincent e O comedor de batatas, tendo como traço de união o destino Van Gogh e a busca do sentido da vida

Van Gogh é um personagem único da história da arte. Amado por milhões de pessoas em todo o mundo, suas principais obras são hoje referência na pintura ocidental. O artista holandês é também um dos casos mais marcantes no longo caminho do sofrimento humano: não obteve reconhecimento em vida, frustrou-se nos amores, na religião e na família. Além disso, o pintor de dos girassóis foi também autor de uma das correspondências mais profundas e intensas de seu tempo. Juntar todos esses aspectos é o objetivo do monólogo Vincent, do ator e diretor Jefferson Coutinho, que completa 15 anos de trajetória.

Para marcar a data, a peça ganha apresentação especial, em programa duplo, com a montagem O comedor de batatas, do mesmo diretor, com os atores Ferdinando Ribeiro e Emílio Zanotelli. O nome é uma referência a um dos mais conhecidos trabalhos de Vincent Van Gogh. Ao reunir as duas peças em espetáculo único, os artista pretende criar um diálogo entre os textos, as técnicas expressivas e, sobretudo, responder à pergunta que perseguiu Van Gogh durante toda sua vida: “Existe algo dentro de mim?”.

Vincent é composto de cartas que o pintor escreveu ao irmão Théo. Van Gogh vivia momento de grande incerteza, solidão e melancolia. Sua correspondência é um documento humano, mas de grande força literária. “Comecei a decorar as cartas e vi que era possível fazer teatro a partir delas. Algumas pessoas diziam que era chato, que nada acontecia. Não acontecer nada, na realidade, foi um ponto de partida”, conta Jefferson.

As cartas de Van Gogh se tornaram leitura de cabeceira do ator, que foi memorizando dezenas delas até perceber a necessidade de estruturar o espetáculo. Novos elementos foram chegando: o texto de Antonin Artaud (Van Gogh e o suicidado da sociedade); algumas ideias foram se tornando obsessivas, como a noção de fuga e de amor; e o espetáculo foi sendo desenhado de dentro para fora. “Tinha nas mãos um teatro de bolso, de 35 minutos. Fiquei um ano fazendo no bar do Paco Pigale ,muita vezes para uma única pessoa”, lembra.

Se engana quem acha que se trata de um teatro triste, para poucos. Van Gogh atrai interessados de todos os lugares e idades. “A peça tinha potencial para se tornar objeto de estudo. Fiz um trabalho com rede particular de ensino e depois com escolas públicas. Apresentava o espetáculo e debatia com os alunos. Foram mais de 100 mil alunos em Minas e no Espírito Santo. Em algumas ocasiões, apresentei para mais de 1,2 mil pessoas. De um a 1,2 mil, sempre com a mesma emoção”, garante o ator.


ABSURDO E REALIDADE

A outra montagem que compõe o programa nasceu de um personagem de um quadro de Van Gogh. Mas O comedor de batatas é trabalho de ficção, com toques de teatro de absurdo, com influências de Beckett e Ionesco. A estrutura é semelhante, o clima igualmente intimista e perpassa a mesma sensação de ausência de saída. A proposta de fusão dos dois espetáculos parte dessas identidades. Quando termina O comedor de batatas é hora de Vincent entrar em cena.

Jefferson da Fonseca credita ao monólogo os melhores momentos de sua vida de ator. “Em algumas ocasiões o personagem perdeu os limites do palco. Em Curitiba, depois de uma apresentação, fui convidado por um grupo de punks para ir com eles beber na noite da cidade. O convidado foi Vincent, que foi caracterizado e desafiado a improvisar sobre a realidade que enfrentava”, conta. Para o ator, foi mais uma das lições de Van Gogh. “Vincent é uma aula de humildade.”, sintetiza.

O ator defende atualidade da peça exatamente nessa busca de relativizar os valores. Assim como o pintor não sabia qual seria seu destino, os homens e mulheres de hoje estão perdidos na confusão de valores. “Existe algo dentro de mim?”: Vincent e O comedor de batatas são peças para quem faz perguntas.


VINCENT E O COMEDOR DE BATATAS
Com Jefferson da Fonseca Coutinho, Ferdinando Ribeiro e Emílio Zanotelli. Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 19h, no Teatro da Assembleia, Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, (31) 2108-7826). Ingressos: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada); R$ 10 (estudantes de teatro).

Fotos:
Allan Calisto e Marlos Ney Vidal

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