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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Amigos dos gatos


Bandeira dois já estava pronta, quando e-mail mais ameno – não menos urgente – fez apitar a caixa postal. Foram linhas e mais linhas de rascunho em páginas de papel pautado antes de passar a coluna para o computador. O tema: o nó que a queda da ponte sobre o Rio das Velhas, em Sabará, deu na Região Metropolitana de Belo Horizonte, causando transtorno sem fim para milhares e milhares de pessoas. Por fim, o recado eletrônico que noticia a criação da Associação dos Amigos dos Gatos do Parque derrubou o que estava pronto por razão bem simples: já que ninguém do poder público dá conta do trecho da morte da BR-381, melhor falar dos gatos. Da rodovia falamos depois porque, pelo que parece, infelizmente, assunto não vai faltar tão cedo.

A mensagem é uma convocação para encontro no próximo sábado, às 10h, em frente ao portão do Parque Municipal Américo Renne Gianetti, na Alameda Ezequiel Dias, com o objetivo de mobilizar o maior número possível de pessoas em defesa dos gatos abrigados no parque. Segundo levantamento de entendidos, são cerca de 140 animais, sob proteção de agrupamento de voluntários, vivendo no lugar. Nos últimos tempos, desde a interdição do espaço por mais de 80 dias, há rumores de que a prefeitura trabalha na criação de um gatil. Quando, no início do mês, os portões do parque foram reabertos à população, o que era ruído ganhou força com matéria publicada no jornal Estado de Minas, que confirmava a intenção da PBH.

Assinado por biólogos e entidades protetoras de animais, o e-mail demonstra força e organização no sentido de garantir o melhor desdobramento para a situação. Parece que os líderes do movimento não aceitam o argumento do poder público de que a retirada dos gatos do parque se faz necessária em função da ameaça que eles representam para os passarinhos do lugar. Sem os pássaros, a praga do cupim devora as árvores e compromete a natureza. É o que dizem os especialistas da prefeitura. O e-mail chama a atenção e anuncia dura queda de braço. Em defesa dos gatos, trecho do texto diz:

“O maior predador do parque foi o animal humano com suas sucessivas administrações e prefeituras que foram ‘comendo’ o parque para ceder a maior parte de suas terras aos vários edifícios do entorno, a saber: Ciências Médicas (escola particular), Hemominas, Faculdade de Medicina, Residência Estudantil Borges da Costa, Hospital da Previdência e outros. Internamente, o Colégio Imaco, o Palácio das Artes, o orquidário, o Teatro Francisco Nunes. Qual é então o animal mais predador do parque? O animal humano!”.

A briga é boa e me faz deixar um pouco de lado o caos provocado pela trinca da ponte sobre o Rio das Velhas que quase ilhou a cidade. Melhor pensar nos gatos, meus amigos desde a infância e que não fazem mal a ninguém.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 27/4/11

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