Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 20 de abril de 2011

É preciso saber ouvir adeus

Passo o dia sem conseguir me desligar da notícia de um sujeito, ex-marido, de 24 anos, que manteve a ex-mulher, de 21, em cárcere privado, sob a ameaça de um revólver. O crime ocorreu de segunda-feira até ontem, lá em Aracaju. Ainda bem que o invasor se rendeu. A situação, muito tensa, durou cerca de 30 horas. Que Deus proteja os envolvidos de mais essa triste história de amor. Especialmente, que acolha o garoto de 5 anos, filho do jovem casal recém-separado. Ao que tudo indica, o homem não se conforma com o fim do relacionamento.

Histórias assim sabemos aos montes na praça. Algumas, infelizmente, têm desfecho trágico para muita gente. É preciso saber ouvir adeus para seguir vivendo. Não é fácil. Quem já passou por essa situação sabe bem o que isso significa. E como sabe. Já passei por isso e posso dizer com conhecimento de causa, sem medo de parecer conversa de botequim ou psicologia barata. Sofri horrores em tempos de caos, no passado. Uma tragédia de único ato que enterrou um casamento e, junto, agrupamento muito querido de amizades. Mas o tempo é o melhor remédio e descobri logo, poucos meses depois, que o ocorrido foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.

Hoje, muito mais feliz e em melhor companhia, olho para trás e acho até graça daquele desespero abobalhado, quase infantil. Meus companheiros mais chegados, que acompanharam a “tragédia”, enchem a boca para dizer: “Rapaz, você tirou foi a sorte grande. Renasceu das cinzas para encontrar pessoa muito melhor”. Foi o que disse o Adelson logo que conheci a Violeta. Meu pai, o velho Botelho, foi objetivo por ocasião da minha separação: “Não era para ser com quem já era. É para frente que se olha, Josiel. Para frente”. À frente, depois de aprender um bocado, de me dedicar mais aos filhos, aos estudos e ao trabalho, surge novo amor para compensar a agrura. E o melhor: com o coração mais forte, cicatrizado e pronto para amar mais e melhor.

Sofrimento descabido por amor, paixão, é tolice. Só se for para tirar proveito e para ficar mais forte. Fazer besteira por amor não correspondido é idiotice pura. Falta de amor-próprio. Acabou é porque não tinha que continuar. Não tem salvação? Não tem jeito mesmo de tentar mais uma vez? Fazer o quê… respirar fundo e se apegar ao que de fato tem valor. Amar e ser amado. O resto é perda de tempo. A gente tem que gostar, que amar de verdade, que saber retribuir. Tem que valer a pena para os dois. Se só um está no lucro, algo está errado. O segredo é somar para dividir. Um precisa acrescentar ao outro, fazê-lo melhor. É preciso crescer juntos. Não dá para perder tempo com problemas imaginários, alimentar tolices e cometer desrespeito de qualquer natureza.

O amor é outra coisa. Amar e amar, simplesmente. Sem violência ou falta de juízo. Ama-se sempre pronto para renascer, amar mais e mais. Pelo respeito à vida, nem tudo pode se perder. Se esse alguém não quer, tem muita gente querendo.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 20/4/11

Um comentário:

Cacá - José Cláudio disse...

Chega a ser pedagógica esta crônica, de tão boa, Josiel. Desde muito cedo eu ouvia a minha mãe ensinar: "quando um não quer, dois não brigam". Serviu para tudo (tem servido) em minha vida. Abraço grande. paz e bem.