Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A curiosa matemática das estradas da morte

O mar ficou para trás, lá no Espírito Santo. Fim de férias e da farra com os garotos em Marataízes. Agora é trabalhar e trabalhar para garantir mais 30 dias de chinelas em 2012. É, amigo leitor… trabalho assim, de olho no futuro, porque o que está por vir também faz parte de quem quer bem a vida. Gabriel e Tiago, filhos tão amados, me fazem ter a certeza, mais e mais, que amar muito e melhor é o que vale a pena nessa nossa breve passagem. Todo o resto, havendo saúde, é desdobramento desse amor inabalável. É o que digo todos os dias para mim mesmo.

Hora de voltar à escrita, inspirado por estas bandas. Vamos lá, deixar a caneta correr solta na caderneta de papel pautado, durante intervalo no batente do volante. Primeiramente, não posso deixar passar em branco meu espanto com os últimos acidentes no Anel Rodoviário. Pago para não trafegar por aquele lugar. Deus que nos livre! Já passei muito sufoco naqueles corredores cheios de carreteiros desembestados. As últimas mortes neste início de ano engrossam as estatísticas assombrosas da rodovia. Só no ano passado, foram 39 mortes registradas na via de 26,5 quilômetros, que liga as BRs 381 e 040. Verdadeiro horror para dezenas de famílias todos os anos. Até quando? É a pergunta que fica.

Sinceramente, não consigo entender muito bem a falta de linhas férreas e metrô em nosso país. Especialmente em Minas Gerais. O tamanho do metrô em Belo Horizonte é de fazer vergonha. Uma cidade tão bacana. É inacreditável. Estou entrando neste assunto porque tenho certeza de que tudo seria diferente não fosse a relação estreita da indústria automobilística e das empresas de ônibus com as camadas políticas que governam o país. Não é preciso estudar administração pública para saber do lobby que existe por trás de tudo isso. O que seria das empresas de ônibus se o metrô de BH e Região Metropolitana fosse uma beleza? E se houvessem trens para todo canto do território nacional? Quem em sã consciência iria enfrentar de carro as estradas horrorosas que cortam o país?

O velho Botelho e eu conversamos muito sobre o assunto. Esta semana, desde segunda-feira, estamos debatendo o assunto na universidade. O Nestor, mestre e doutor, tem ideias bem interessantes sobre a falta de vontade política que emperra o Brasil. Por hora, com muito interesse, estou esquadrinhando o tema desde os tempos do presidente JK. É matemática curiosa entender que para vender carros foi preciso abrir estradas a qualquer preço. A coisa é bem complexa, amigo leitor. Vou avançar nas pesquisas e deixo aqui a promessa de avançar no tema em nosso quintal.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 9/2/11

2 comentários:

Cacá - José Cláudio disse...

O poder de sedução da mídia é algo quase impossível de ser combatido. Esta história de que brasileiro é apaixonado por carros, foi plantada, regada, adubada e prosperou. Por outro lado, se houvesse transporte público eficiente, ele bem que poderia ser apaixonado por ônibus ou trem. Mas aí entra o que você disse acerca do "rabo preso" dos políticos com os donos das montadoras, etc, etc, etc. Abração, Josiel! Paz e bem.

Cacá - José Cláudio disse...

O poder de sedução da mídia é algo quase impossível de ser combatido. Esta história de que brasileiro é apaixonado por carros, foi plantada, regada, adubada e prosperou. Por outro lado, se houvesse transporte público eficiente, ele bem que poderia ser apaixonado por ônibus ou trem. Mas aí entra o que você disse acerca do "rabo preso" dos políticos com os donos das montadoras, etc, etc, etc. Abração, Josiel! Paz e bem.