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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Para ficar na história

Neil Tennant arrancou risos do público com o português: “Divertissei! Divertissei…” Por fim, conseguiu: “Divirtam-se”. E sorriu: “Belo Rorissonte”.




Mesmo com o cerco aos flanelas irregulares de Belo Horizonte, quem foi de carro ao show do Pet Shop Boys na sexta-feira, no Chevrolet Hall, não esteve livre dos achacadores. Misturados aos cambistas, eles estavam lá para mostrar que ainda mandam no pedaço: “Pode subir na calçada, patrão”. Fala sério. Se do lado de fora havia com o que se chatear, na arena o clima não podia ser mais alegre para o primeiro show da turnê Pandemonium do duo inglês no Brasil.

Casa pela metade pouco antes do começo, grande parte da plateia ainda estava do lado de fora, quando Chris Lowe e Neil Tennant entraram em cena. Falta de sorte para os que perderam More than a dream (faixa do último álbum, “Yes”, que vem rodando o mundo) e Heart, com seus corações flutuantes. Logo na abertura, a explosão de cores e imagens holográficas revelaram o forte aparato técnico do grupo. Dezenas de cubos brancos formavam o cenário-telão desmontável, que alucinaria os espectadores por quase duas horas, com 27 canções. Pouco a pouco o público tomou a pista, com espaço apenas nas arquibancadas, reservadas aos mais velhos, discretos ou cansados.

O que seguiu foi show inesquecível, faixa a faixa, com som e produção de requinte, direção de arte impecável, com grafismo e animação raros. Os quatro dançarinos e backing vocals (três mulheres e um homem) se somaram aos efeitos no tablado mágico. Até as coreografias mais quadradas, ao estilo “dois para lá, dois para cá”, ilustram bem o synthpop da dupla. Em Jealousy, por exemplo, o pas-de-deux em evidência acentua a poesia desconcertante da canção. Assim como em Two Divided by Zero, quando o quarteto travestido de “edifícios” acompanha os passinhos ensaiados de Chris Lowe.

Neil Tennant arrancou risos do público com o português: “Divertissei! Divertissei…” Por fim, conseguiu: “Divirtam-se”. E sorriu: “Belo Rorissonte”. Os dois garotos de meia idade mostraram que continuam em forma. Românticos, políticos, desde o início dos anos 1980 donos de pop eletrônico contagiante, levantaram a plateia em coro com os hits Always on my mind (Elvis Presley), Go west (Village People), Suburbia, Viva la vida (do conterrâneo Coldplay), e It’s a sin.

O tempo voou e na percussão de palmas pelos braços erguidos da multidão, Chris e Neil deixaram o palco fazendo charme e voltaram para o bis com as belas Being boring e West end girls. Noite para ficar na história dos grandes shows em Minas. Os Pet Shop Boys, pela segunda vez, não decepcionaram e souberam fazer a alegria de duas gerações de fãs na cidade. Ontem, estiveram em Brasília. Amanhã, apresentam-se em São Paulo e, na quarta-feira, no Rio de Janeiro. Depois, seguem para Argentina, Peru e República Dominicana.

(Jefferson da Fonseca Coutinho - Crítica publicada no jornal Estado de Minas)

Um comentário:

fafers_br disse...

Perfeita sua análise.

Um show perfeito, um espetáculo completo. Quem não foi, perdeu.