Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Osho, Dagmar e a força do pensamento

Ganhei uma caderneta nova. Mimo de passageira encantadora. “É para ajudar com as palavras, meu filho”, escreveu a dona Dagmar, 78 anos, leitora fiel de nosso Aqui. Mandou-me num envelope com oração manuscrita e bilhete de amizade. Obrigado, dona Dagmar! Muita luz em seus caminhos. Trouxe-me alegria o presente. Guardei-o para a noite de domingo, dia de menos movimento no batente. Comprei caneta especial, azul, para deixar correr nas folhas de papel reciclado, e mandei ver.

É sempre um mistério cada dia de vida e trabalho. São encontros e mais encontros que se somam em cada jornada. Uma dádiva poder perceber tanta beleza que há no mundo. Só a percepção é capaz de educar o pensamento. Desde que tomo nota de quase tudo, venho aprendendo a reconhecer o sentido das coisas. É como se, por meio da escrita, eu ganhasse uma segunda chance para avaliar cada impressão sobre isso ou aquilo. Assim, minha opinião pode se refazer com menor risco de engano na compreensão das ideias. Portanto, faço do ofício da escrita ritual para revisão de valores. Dividir assunto com o amigo leitor, seja ele qual for, é tarefa de grande responsabilidade.

Encanta-me a riqueza que há em cada pessoa. Diariamente, conheço gente de todo tipo e sorte. Aqui e ali, entre uma conversa e outra, vou compondo ou revivendo as memórias. Vez por outra, passam-me pela cabeça pensamentos do arco da velha. Por exemplo: que metade do que vemos no outro já está em nosso olhar. Explico: se olhamos o outro procurando algo bom, lá vai estar o bem. Agora, quando lançamos o olhar carregado, contaminado por algo ruim, certamente, não vai ser de todo bom o que vamos ver. Basta citar o preconceito, a ignorância e as falsas verdades espalhadas por aí.

Tenho cadernetas empilhadas sobre a verdade. Fica até difícil reunir cinco ou seis parágrafos. Afinal, isso me provoca continuamente. O fato é que, bastante revisadas, tenho cá as minhas observações sobre o tema. Falsas ou não, boas ou más, verdades também podem ser construídas. Acreditamos naquilo que queremos. O importante é aprender separar o que vale a pena daquilo que não presta. É filtrar apenas o que tem algum valor. É não se contaminar pelo egocentrismo e, o mais difícil, se esvaziar da vaidade que emburrece. Digo a mim mesmo: ninguém é tão grande para que sempre seja visto, nem tão pequeno para que jamais seja notado.

Lembro-me bem dos ensinamentos de Osho, mestre indiano, quando penso que a existência, “mais antiga de todas as canções”, em si é a maior de todas as vitórias. A natureza é abundante. Todo o resto material (pelo que tanto nos matamos) é invenção do homem. Simples assim: Deus está em mim. Eu sou o meu templo. Para ser feliz e estar próximo de Deus, basta aprender a amar. Tenha o amor inesgotável que há em você acima de todas as coisas. O que está fora do nosso alcance e pelo que tanto lutamos, quem sabe, pode ser apenas mais uma verdade construída, dessas muitas, fingidas por você e por mim.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 21 de outubro de 2009

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