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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Esquinas da vida

Depois de longa temporada longe dos cinemas, Violeta e eu fomos ver o novo filme do Clint Eastwood, “Curvas da vida”. Tocante, sem invencionices melodramáticas ou tecnológicas – como deve ser toda fita de alma. O roteiro, muito bem amarrado conta a história do velho Gus, um olheiro de beisebol, assombrado pelos males da idade e pelas pressões do trabalho. O amigo leitor nem precisa entender do esporte – tão popular nos Estados Unidos. O filme vai além: traduz valores sem preço, boas e más relações humanas, e amor entre pais e filhos. É no mínimo arrebatador o embate de emoções de Eastwood e Amy Adams, a Mickey, filha do protagonista. Personagens bem mapeados do ponto de vista psicológico, os dois trazem à cena conflitos que convencem do primeiro ao último minuto.

Saímos do cinema embevecidos pela história. O assunto rendeu  e me valeu horas com a caneta na caderneta de papel pautado. Certa vez, ouvi de passageiro especialista em cinema que bons filmes são aqueles imprevisíveis. Têm ao menos duas boas surpresas: uma entre o início e o meio; outra entre o meio e o final. É fato. Em “Curvas da vida” as boas surpresas estão lá, exatamente nesses dois pontos de virada. A gente vai pensando que a trama vai por um caminho e, de repente, toma outro rumo… e mais outro. Sem falar no campo aberto de reflexões, nos arremessos das atitudes. O jogo é fio condutor, pano de fundo e metáfora, simplesmente. Não há nada esfregado na cara da plateia. Nada de raso ou superficial, tão comum nos dias de hoje: tempo da preguiça.

O ponto de partida de “Curvas da vida” é bifurcação nas carreiras de pai e filha. Ela, bem perto de conseguir a posição de sócia em importante escritório de advocacia. Ele, com a capacidade profissional questionada, ameaçada por problemas na visão. Depois de passado dramático – marcado pela morte da mãe – e a falta absoluta de diálogo com o pai, a bela Mickey decide colocar o velho contra a parede e encará-la de frente, madura. Sem grandes concessões, Gus, o pai rabugento, acaba envolvido pela mocinha e se vê obrigado a rever algumas decisões do passado. Contar mais que isso é avacalhar as boas surpresas do filme. Uma linha a mais, apenas: na fita, há espaço ainda para romance de novela, que traz à cena Justin Timberlake, como Johnny.

No mais, amigo leitor, “Curvas da vida” faz pensar. Jovens e velhos.



Bandeira Dois - Josiel Botelho

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