Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O espírito do Natal


Inesquecível ver duas mil crianças abraçadas pelo Papai Noel na manhã de sábado pela Jornada Solidária do jornal Estado de Minas, no Bairro Buritis. Balançou-me testemunhar a emoção da criançada de 23 creches de Belo Horizonte e Região Metropolitana ganhar o ginásio do Uni-BH – tão carinhosamente preparado para a importante ação social. Disciplinados, em fila, descalços pela liberdade de saltar em brinquedos infláveis, mocinhos e mocinhas, de até 7 anos, correram aos pulos quando a entrada foi liberada. Do lado de dentro, dezenas de voluntários formavam corredor de aconchego para a recepção. Vi quando a professora Luciana Cândida, da creche Santa Sofia, do Morro das Pedras, entrou no salão com seus 34 pupilos, todos de pulseirinhas de identificação, numa serelepice só. Foram os primeiros a chegar. “A expectativa é muito grande. O melhor de tudo é ver a alegria deles”, conta a educadora.

Com a entrada dos pequeninhos homenageados, o galpão em fantasias e uniformes multicoloridos é pura farra. A garotada aproveita a leveza dos pés no chão e corre, brinca, pula e pinta. E borda – os mais abusados até puxam o rabo do Tigrão, azaram o Bob Esponja e cutucam o Shrek, gigante verde, atração de destaque. “Calma aí, garotada!”. Nada que uma bronquinha da gentil assistente não dê jeito. Para manter a ordem, dezenas de voluntários, bem distribuídos pelo amplo galpão coberto, estavam atentos ao menor sinal de descuido. Vez por outra o microfone anunciava moçoilo ou moçoila desgarrado. Super-heróis, fadas, princesas, palhaços e protagonistas de desenhos davam brilho especial à animação. Batman, o homem-morcego “voa” baixo. Tem no encalço uma dúzia de intrépidos sujeitos. Sorrisão para foto. Uma beleza. O Homem-Aranha não fica atrás e também faz cena para a posteridade entre a meninada. Rafael Costa Reis, pequeninho, de 3, abraça a Bela Adormecida como quem parece viver conto de fadas. “Ela é linda”, diz baixinho.

A Jornada Solidária é a coroação de trabalho de empenho e dedicação de todo o ano. Ao longo de 2011, várias atividades foram realizadas para arrecadar fundos que vão beneficiar crianças de áreas de grande exposição a sérios problemas sociais. Creches são reformadas e aparelhadas pelo bem da comunidade. O programa tem 47 anos e já atendeu mais de 1,6 milhão de mocinhos em calças curtas. Glaucia Alessandra Pereira, de 36 anos, do Bairro Jaqueline, se desdobrava, ao lado de outros educadores, para acompanhar o pique de 60 crianças da creche Santa Terezinha. A professora destaca que, além dos recursos financeiros doados, a interação com outras comunidades é outro ponto importante para as crianças. “Natal é união. É uma melhor compreensão da importância da família”, ressalta.

Célia Alves Pereira, do Centro Comunitário Infantil Caminhando com Jesus, do Bairro Camargos, fala das histórias de vida sofrida de muitas das 120 crianças sob seus cuidados. “Sinto-me como aquele passarinho que leva água no bico para apagar o incêndio na floresta. O Brasil seria outro se existissem mais programas como a Jornada Solidária”, afirma. Andante ginásio adentro, guardei cenas lindas de se ver e contar. Fui tomado de especial alegria ao ver o bom velhinho, incansável, distribuir dois mil carinhos, com direito a fotos e beijinhos. Taí: é esse o espírito do Natal.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 7/12/11

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