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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Para refletir e guardar na alma



Em poucas situações na vida senti-me tão próximo de Deus como no encontro com a família Gibosky, semana passada, no Bairro Dona Clara, na Região da Pampulha. Para quem não acompanhou de perto o caso, trata-se de família vítima daquele desastre no Anel Rodoviário, que, no início do ano, alterou o rumo de várias pessoas, com cinco mortos e 12 feridos. Entre eles, Laura Gibosky (foto), de 4 anos, sobrevivente por milagre – já que teve grave traumatismo no crânio, no abdômen e na perna esquerda, além de profundo estado de coma. Da parte dos médicos, a pior previsão possível: apenas 2% de chances de sobrevivência.

Resultado do excesso de velocidade de carreta carregada com 37 toneladas de trigo, tocada por Leonardo Hilário, de 24, de Mundo Novo (MS), que arrastou, além do carro da família Gibosky, outros 14 veículos em fila, engarrafados na rodovia. Na tragédia, outra garotinha, Ana Flávia, de 2, prima de Laura, morreu na hora. Marcelo Ferreira dos Santos, de 12, a avó dele, Maria da Conceição dos Santos, de 60, Márcia Iasmine de Azeredo Villas Boas Sales, de 44, e Eduardo de Souza Oliveira, de 40, também perderam suas vidas no mesmo acidente naquele fatídico 28 de janeiro de 2011.

Tocou-me sobremaneira a união, o amor incondicional e a fé inabalável dos pais de Laura, Ricardo e Priscila, que não poupam esforços para trazer a menina novamente à vida. O quadro pode até parecer de esperança doída por causa do diagnóstico de paralisia cerebral, mas, considerando os avanços de Laura até aqui, a pequena guerreira tem tudo para surpreender sua equipe médica a cada dia. Ainda que sem falar e andar, com bem poucos movimentos, a vida percebida nos olhares da menina são de força descomunal. Laura é apaixonante. A mocinha tem um encanto natural arrebatador. Há um campo de luz contagiante em torno da menina de carinhar os sentidos.

Quando deixei a casa dos Gibosky, levei comigo imagem que jamais vou esquecer: a da pequena Laura no colo da mãe. Priscila não escondia ter nos braços porção mais preciosa de amor em seu sentido mais puro. O pai, Ricardo, bravo lutador, não esconde as cicatrizes da alma. Contudo, um só sorriso na presença da filha, o professor e advogado é exemplo de fé e determinação. Conheci também o garoto Yuri, de 10, filho mais velho do casal. Moço cheio de simpatia, apaixonado pela irmãzinha, que, em julho, comemorou cinco anos em casa, depois de passar mais de 150 dias internada nos hospitais João XXIII e Felício Rocho.

Nos próximos dias, Laura deve voltar ao hospital para se submeter a mais uma cirurgia no cérebro. A família está confiante de que o novo procedimento vai ajudar ainda mais na recuperação da pequena Gibosky. Do lado de cá, com todos os eus que me habitam, peço em oração a oportunidade de reencontrar Laura recuperada. Olhar bem fundo nos olhos da mocinha e dizer a ela o quanto sua história de luta me faz repensar a vida e minha relação com o mundo. Ricardo, Priscila, meu carinho e minha admiração de homem e pai de família. Vida longa, Laura! É meu desejo de espírito pelo tempo que se aproxima. Guardo você, menina. No peito e na alma.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 28/12/11

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