Vincent - Um solo de amor

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A alegria dos pardais


Ontem, na cozinha, Johnny foi encontrado sem vida. Seguramente, o pardal mais serelepe de que já se teve notícia em todo o Bosque do Jambreiro, em Nova Lima. O mundo lá fora... mas o danado do passarinho só queria saber da cozinha. Não teve espantalho, palma ou reza brava que afastasse Johnny da mesa e das bancadas de guloseimas. Meu amigo não queria muito. Os restos apenas. Vez ou outra, fazia de banheiro as nossas mais belas toalhas, vasilhas e os tampões de granito. “Melhor do que o pó do asfalto”, repetia para a mulher companheira. Sempre procurei deixar as vidraças abertas para que ele pudesse arriscar seus mergulhos suicidas. Johnny gostava de aventuras. Conversávamos muito, em silêncio, e ele parecia entender minhas elucubrações. Mantinha seu ninho no telhado, com a minha cobertura – uma troca (injusta, reconheço): um pouco de segurança por muita inspiração. Fiz até acordo com os cães para que o deixassem em paz. Osho e Leona aceitaram na boa. É... há um tempo para tudo. Depois de rasante na janela fechada, meu intrépido parceiro das madrugadas descansa, agora, ao pé de nossa goiabeira. Salve, Johnny! Não esqueço você, amigo. Que venham os seus filhos!

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