Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Adolescência roubada


Muito triste a morte da menina Geisiane Carolina da Silva Martins, moradora da Vila Marimbondo, em Contagem. No domingo, a moça, de 17 anos, estava com uma irmã, de 13, na Boite Nitro, na Avenida João César de Oliveira. Deda, como era conhecida entre familiares e amigos, passou mal enquanto dançava na pista e morreu na ambulância, a caminho do hospital. As suspeitas são de que a menina tenha usado drogas. A família, revoltada, clama por justiça e exige que a polícia investigue a casa dançante. Para o pai, a mãe e a avó, Deda era apenas uma criança alegre que gostava de diversão. Os amigos da praça trouxeram o assunto à pauta do dia. Enquanto o corpo da menina era sepultado em Contagem, bravos do volante tentavam entender como uma menina pobre, de família humilde, tinha recursos para comprar cocaína. O Adelson nem precisou pensar muito para dar sua opinião: “São as más companhias. Tem sempre algum usuário ou traficante prontos para viciar alguém”.

No caso dessa moça, a Deda, é lamentável que ela não estivesse na escola. Isso é opinião geral. Ainda tem a história do sonho de ser jogadora de futebol. “Quantas vidas de crianças e adolescentes de nosso Brasil não estão sujeitas a desvios e desfechos trágicos assim?” É a pergunta da Sueli, mulher, quase irmã, de convicções admiráveis no campo social. “Sei que há muitas campanhas contra as drogas. Mas, todos sabem, não são suficientes. A corrupção por grande parte de nossos políticos e a impunidade neste país têm relação direta com o avanço das drogas. Não tenho dúvidas disso. O Brasil é riquíssimo. Tanto que, mesmo com toda essa bandalheira da qual temos notícia, dá conta de crescer. Se os ladrões de dinheiro público tomassem jeito, sobrariam recursos para investimentos efetivos no combate às drogas. O que aconteceu com essa menina da Vila Marimbondo pode acontecer com qualquer um. Não é o primeiro caso e, infelizmente, não será o último”, diz a taxista.

Deda era aluna do 3º ano do terceiro ciclo do ensino fundamental da Escola Municipal Pedro Pacheco. Um grupo reconhecido por bom trabalho social, parceiro da Polícia Militar de Minas Gerais, por meio de Programa Educacional de Resistência à Drogas (Proerd). O Juliano, primo do Adelson, conhecia funcionários da escola por onde passou Geisiane. “O trabalho que eles fazem contra drogas e bullying é muito sério. Se essa moça tivesse continuado lá, a história seria outra”. Desde o ano passado, Deda não frequentava mais as salas de aula. Parece que se envolveu em briga com outros alunos. Estive na escola, no Bairro Santa Cruz. Pelos corredores do colégio, cartazes chamam a atenção de seus 850 alunos para a importância da família. Em 2010, Deda teve apenas sete presenças pontuadas no diário de classe.

Conheci a Nayara Fernanda, estudante de direito, com quem Deda, até dois anos atrás, participava o mundo da bola. A moça recebeu a notícia da morte da prima com muita tristeza. “A gente tinha uma relação muito próxima. Depois que comecei a trabalhar, a gente acabou se distanciando um pouco. Deda é mais uma criança, vítima das áreas de grande exposição a graves problemas sociais”, lamentou. A estudante conta que há pouco mais de duas semanas teve conversa muito séria com Deda sobre escola, trabalho e futuro. Infelizmente, não deu tempo para dar certo.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 21/9/11

Um comentário:

Cacá - José Cláudio disse...

É, meu caro Josiel, enquanto o padrão de nossa sociedade for a competitividade aicima das relações coletivas, vamos ter problemas sérios de desvios mais do que já tínhamos antes. A desintegração familiar, a perda gradual do papel da escola como coadjuvante na educação do lar e mais esse monte de causas que você bem citou são fatores, no meu entendimento, que estão roubando nossa juventude. Hoje vi uma criança de apenas 10 anos e aparentemente sem maiores transtornos matar uma professora e se suicidar em seguida. Isso é mais um sintoma do esgarçamento social. É de se lamentar,lamentar, lamentar, já que a população parece não mais disposta a se juntar em uníssono para solucionar os problemas que de uma maneira mais ou menos grave afeta a todos. Abraços. Paz e bem.