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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Adolescência roubada repercute


E-mails, comentários na web, telefonemas e muita conversa na praça sobre a última coluna, intitulada “Adolescência roubada”. A suposta overdose da menina Geisiane Carolina da Silva Martins, de 17 anos, moradora da Vila Marimbondo, em Contagem, numa boate, precisa mesmo ecoar. A Antônia, de Betim, se diz estarrecida com os adolescentes que trocam as salas de aulas pelas baladas. Por telefone, desabafou:

“Sou mãe e tia. Na minha casa, na minha família, tem muita gente entre 15 e 20 anos. Todo mundo está atento. Tem que ficar. Porque o mundo de hoje não está para brincadeira. É acesso fácil demais à perdição. Os computadores e a internet facilitaram os estudos, é verdade, mas também favoreceram a criminalidade. Os bandidos de hoje estão agindo pelos celulares e nas redes sociais. Qualquer traficante pé de chinelo está no Orkut, no Facebook. Tenho um sobrinho que mostrou ao pai, meu irmão, uma página de recados falando de drogas em festas. Fiquei perplexa quando soube disso, Josiel. Lugar de criança, de adolescente, é na escola, é com a família. Continue escrevendo sobre o assunto. É um grande serviço à comunidade”.

O escritor, historiador e cozinheiro José Cláudio, o Cacá do blog Uai Mundo?, leitor amigo das antigas, comentou Bandeira Dois na internet: “É, meu caro Josiel, enquanto o padrão de nossa sociedade for a competitividade acima das relações coletivas, vamos ter problemas sérios de desvios mais do que já tínhamos antes. A desintegração familiar, a perda gradual do papel da escola como coadjuvante na educação do lar e mais esse monte de causas que você bem citou são fatores, no meu entendimento, que estão roubando nossa juventude. Hoje, vi uma criança de apenas 10 anos, aparentemente sem maiores transtornos, atirar numa professora e se suicidar em seguida. Isso é mais um sintoma do esgarçamento social. É de se lamentar, lamentar, lamentar, já que a população parece não mais disposta a se juntar em uníssono para solucionar os problemas que, de uma maneira mais ou menos grave, afeta todos. Abraços. Paz e bem”.

Entre uma corrida e um bate-papo, a turma do volante também compareceu. O Valdeir falou com a autoridade de quem enfrentou o problema cara a cara, em casa: “Minha caçula me deu muito trabalho no ano passado. Graças a Deus criou juízo depois da dura que a gente teve que dar nela. Tava de confusão com um menino do bairro, vagabundo, que não queria saber de trabalhar nem de estudar. O sujeito teve lá em casa com uma conversa atravessada, drogado. Tava levando a minha filha para o mundo do crack o infeliz. Depois desse dia, grudei nela. Passei a buscá-la na escola e fui conversar até com a diretora. Agora tá tudo bem, mas estou de olho e ela sabe disso”.

Quem tem filhos sabe bem das preocupações do Valdeir, bom pai, homem de regras e família. Daqui de Belo Horizonte, mesmo a distância, não dou trégua aos meus garotos, que moram com a mãe em Vila Velha, no Espírito Santo. Terra com índices de violência alarmantes. Não há fórmula pronta para a melhor proteção de nossas crianças e de nossos adolescentes. Existem pistas. E todas nos remetem às boas trilhas da educação, do trabalho, da família e da fé. Não necessariamente nessa ordem.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 28/9/11

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