Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O voto ou as chinelas à beira-mar?

É preciso ser sincero para justificar o privilégio de poder descer a caneta neste quintal. Não dá para negar que um feriadão assim, pela reta, é por demais tentador para quem trabalha e estuda 16 ou 18 horas por dia. Ainda mais quando se tem filhos e casinha na praia. No entanto, o próximo domingo, dia de eleição, é data para se considerar. É compromisso que merece respeito. Apesar da tentação, o dever do voto me chama. Estou decidido a deixar de viajar para o Espírito Santo para fazer o meu papel. Alguns companheiros, especialmente os amigos de praia, estão dizendo que estou levando muito a sério essa história de fazer a minha parte.

O Biju, de Itapemirim, escreveu: "Com essa corja que está aí, Josiel, é nunca que eu ia deixar de ficar com a minha família pra votar. Vem bora, sô! Vamo ferver os goiamum". Figuraça o Biju. A decisão já está tomada. Violeta e eu vamos ficar e fazer a nossa parte. É a minha voz nas urnas. O velho Botelho, lá em Marataízes, compreende muito bem. Ontem, pela manhã, conversamos por telefone: "Tá certo, filho. Não vou nem insistir porque entendo perfeitamente a sua postura. Já pensou se todo mundo resolver emendar o feriado e deixar de votar? A gente tem que fazer a nossa parte. A gente tem mesmo é que ter atitude, filho. Tá certo. Assim você tá é dando exemplo para os seus filhos. Depois, assim que der, a gente aproveita em dobro". É assim o velho Botelho. Deu-me exemplo a vida toda. Agora, é a minha vez de contribuir com os meus garotos. Gabriel e Tiago já começam a entender o que isso significa, tenho certeza.

E como o assunto é política, que fitão esse Tropa de elite 2, hein!? Caramba! Como tem coragem esse tal Padilha, diretor do filme. Fui duas vezes só para entender o recado do cineasta. Nem precisava ver duas vezes. Está tudo lá, claro e transparente. Fica até mais fácil entender a revolta do amigo Biju. O cenário principal é o Rio de Janeiro, mas bem que poderia ser outro lugar qualquer neste Brasil de tanta corrupção. Claro que Brasília está lá, absoluta, na telona. Que beleza de filme. Os atores estão mandando muito bem. Não é possível que uma obra dessa grandeza não consiga fazer alguma diferença. Tem que fazer. Não é possível que o sujeito que mete a mão no dinheiro público, depois de um filme assim, continue roubando o povo brasileiro. O Adelson acha que não muda nada: "Gente que rouba o povo não tem vergonha na cara. É capaz de ir lá, ver o filme e ainda se divertir, Josiel".

Prefiro não dar razão para o companheiro. Mas até que ele não deve estar de todo errado. Do jeito que a corrupção anda, tão deslavada, é bem possível que seja assim mesmo. Dá até para imaginar o bandidão de gravata, sorrindo entre seus iguais e dizendo: "Que fitão!" Contudo, ainda assim, domingo vou à urna. Um dia, quem sabe, a história pode ser diferente.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 27/10/10

Um comentário:

Cacá disse...

O MEU COMPROMISSO É O OPOSTO DO SEU JOSIEL. EU TENHO É QUE VIAJAR (VOTO FORA). VOU LÁ FAZER A MINHA PARTE TAMBÉM. QUANTO AO FILME, SABE QUE O ADELSON TÁ CERTO? O FIGURÃO DEVE IR LÁ PARA VER AONDE O DIRETOR E O CINEASTA FALHARAM OU SE ELES FORAM PRECISOS EM APONTAR OS TRÂMITES DO DINHEIRO QUE VAI PARA O RALO DA CORRUPÇÃO. ABRAÇÃO. PAZ E BEM.