Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Morte nas estradas, trens e política

Na semana passada, nossa Bandeira dois, com o texto “Piedade, senhor caminhoneiro. Piedade”, rendeu bom debate sobre a falta de respeito e amor à vida por parte de maus motoristas que ganham a vida nas estradas. Foram muitos os e-mails e mensagens de amigos, leitores e amigos leitores. Teve de tudo: de análises mais comedidas, delicadas, ao desabafo triste de quem já perdeu alguém querido, vítima de carreteiro irresponsável. Também teve o Pablo, de Sete Lagoas, que espinafrou com dureza: “A verdade, Josiel, é que tem muito caminhoneiro que só pensa em si mesmo. O camarada tá lá, montado num gigante, não quer nem saber do coitado que tá guiando o seu carrinho. Passa por cima. Gente assim tem que ir é pra cadeia, porque é tão assassino quanto o criminoso que aperta o gatilho. Mas, neste país, é tudo uma farra. Abração”.

Já o Juarez escreveu: “Prezado Josiel, bom dia. Lendo sua coluna ontem, com pesar, cheguei à triste conclusão de que não é só nas estradas que existem estes personagens. Na terça-feira, dia 5, por volta de 17h, presenciei um fato estúpido. Na saída da Antonio Carlos para entrar na Contorno, indo em direção ao elevado. Um ônibus havia entrado na frente de um caminhão, que abriu a buzina e acelerou para ultrapassar o ônibus. Diminuí um pouco, mantendo uma distancia maior. No início do elevado, o caminhão entrou fechando o ônibus, batendo na parte da frente, apesar do motorista do ônibus ter tentado sair fora. O motorista do caminhão parou mais à frente e não sei o que resolveram, mas a estupidez dele prova a sua não condição de direção. Imagine se fosse um carro pequeno com uma família. Poderia haver tragédia, pois ele não respeitou nem um ônibus. Acho que é reflexo da impunidade que impera neste país e a certeza de que a justiça não o fará pagar pelos danos causados. A educação ainda está longe de ser praticada. Infelizmente a “Lei de Gerson" anda funcionando muito. Mas temos de acreditar numa melhora. At, Juarez Rodrigues dos Santos”

Cacá, bom amigo blogueiro (http://uaimundo.blogspot.com) não podia faltar: “Eu até pensei que fosse do acidente aqui em Neves (BR-040), ontem. Um caminhoneiro saiu do posto pela contramão e matou uma pessoa na hora, que estava em uma D20. Mais umas quatro ou cinco ainda estão hospitalizadas em estado grave. Passei por lá pouco depois e foi uma cena arrepiante. Ainda há de aparecer um presidente que vai investir de volta nas ferrovias. Isso é o que falta, além de construir estradas decentes. Um abraço. Paz e bem.
Cacá”

É. O assunto é pauta para toda semana. Até quando? É a pergunta que fica. Assusta-me tomar conhecimento de gente que perde a vida entre as ferragens todos os dias. Sou um homem do volante e das notícias e, ainda assim, não me acostumo com isso. O Cacá tem toda razão, quando diz que a solução pode estar na construção de malha ferroviária decente, que desafogue as estradas. Mas, amigo Cacá, e como fica a ganância da indústria automobilística e seus parceiros políticos?

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 13/10/10

Um comentário:

Cacá disse...

Dirigir nas estradas brasileiras requer uma série de cuidados que só cuidamos, às vezes de falar mal das condições precárias da sinalização, buracos, traçados mal feitos e outras coisas ruins. Elas existem mesmo e devem ser faladas e cobradas, claro! Mas, quem viaja pelo menos de vez em quando, pode prestar atenção, que a grande maioria dos desastres que desgraçam muitas vidas e famílias é culpa exclusiva dos maus motoristas. Imprudência, equívocos de toda espécie, impaciência, competição e o sentimento de poder que o carro dá, são ingredientes que, misturados ao transito, dão uma receita indigesta a qualquer um. Quer um exemplo desagradável? Faça uma viagem saindo de BH em direção ao Espírito Santo, Bahia, Rio, São Paulo ou Brasília. Com muito cuidado e com um olho na direção e outro na circulação em geral para observar as atrocidades cometidas pelos aventureiros que parecem estar praticando esses esportes radicais, aliás, muito menos perigosos, pois só arriscam a vida do praticante. (Isso não é tanto para você que já viaja muito e sabe até melhor do que eu. Mas serve para quem passar por aqui).

Um abraço e obrigado pela lembrança. Paz e bem.