Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Em BH, no vaivém das mares

Não é fácil se assentar em Belo Horizonte depois de semanas junto do pai e dos filhos no Espírito Santo. É como se tivesse com as orelhas em concha, reverberando o barulho das marés. Uma beleza! Este ano, a grande novidade: vamos trocar Santa Mônica, em Guarapari, pela renovada Marataízes. Fica, aqui, o convite ao amigo leitor para, quando puder, passear pela “pérola capixaba”, terra do Dr. João Lino, da Cidália e do Luís.

Peixe distribuído (o carango veio carregado), é hora de retomar a vida na querida Belo Horizonte. Ô cidade bacana! Com esse mundaréu de carros, sinceramente, não sei onde vamos parar, mas que a cidade é bacana demais, disso não resta dúvida. Não fosse o caos no trânsito e a violência assombrosa dos últimos tempos – nem vamos render o assunto que é para não estragar o dia –, não teria do que reclamar. Nasci e cresci por essas bandas e tenho muito orgulho disso.

Estou na cidade desde a madrugada de segunda-feira. Não gosto muito de encarar estrada à noite, mas, para passar o Dia dos Pais com os garotos, não teve outro jeito. Valeu o sacrifício. O domingo foi de farra inesquecível. Aproveitamos para fazer uma festinha de despedida de nosso recanto de janelas azuis. Imóvel simples, que durante anos muito felizes só nos deu alegria. O mundo muda e precisamos mudar com ele. Agora, é hora de conquistar novas amizades, sem deixar de lado as antigas.

Ainda não recolhi todos os meus eus. Alguns ainda estão de chinelas à beira-mar. Pouco a pouco eles vão se alinhando. Até o fim de semana, a patota que há em mim está de volta. Enquanto isso, vou me ajustando à praça. Trabalho é o que não falta para quem não brinca em serviço. E BH está que é uma beleza com este festival internacional de teatro, o FIT-BH. Violeta e eu somos fãs do evento. Tem um monte de espetáculo legal, de graça, nas ruas e em espaços alternativos.

Já montamos nosso programa e vamos “mambembar” – como diz o povo do teatro – por algumas plateias da periferia. Eita! No batente já comecei pesado, com jornada de 12 horas para refazer as economias. Afinal, olhar para o mar com as contas em dia é muito melhor. Em outros tempos, passaria 18 horas no volante, mas, agora, tem a universidade e é preciso ter força e ânimo para estudar porque a vida é ainda mais difícil para quem já está beirando os 40. Estou firme na escola para não fazer feio ou decepcionar a mulher amada, mestre das ciências sociais.

Com todas as dificuldades – viver não é fácil, sabemos todos –, estou no melhor momento da minha vida. Cercado por amigos leais, mais chegado de Deus, e muito entusiasmado com os pequenos pontos de luz que enxergo por todo canto. Estou aprendendo, num exercício diário, a não ter tempo ruim com nada. “Nada é tão bom que dure para sempre ou tão ruim que não se acabe”, conforme o dito popular. E assim vou vivendo, com o espírito em paz, no vaivém das marés.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 11/8/10

Nenhum comentário: