Fantástico - Vai fazer o quê?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A revolta dos homens bons



No último domingo, o Adelson provocou longa tarde de conversa sobre a violência. No almoço de aniversário do Vitão, vizinho de porta e companheiro de carteado, a turma do volante “ferveu” discussão sobre a insegurança que amedronta o cidadão de bem. O Adelson, inflamado, disse que vai entrar para um clube de tiro e que está cansado de esperar por “ações mais eficientes” por parte do poder público. Vez por outra, o Adelson desabafa soluções radicais contra o que a polícia não dá conta. Ano passado, juntou alguns amigos da academia de ginástica e montaram um “Clube da Luta”.

Ele e meia dúzia de indignados contrataram um professor de arte marcial. Decidiram se especializar em defesa pessoal. E, pelo que soube, o grupo do Adelson já está impossível. Inclusive, o Tobias, primo do Adelson e integrante do tal clube, no início do ano, foi parar na delegacia por ter quebrado dois ladrões pés-de-chinelo que tentaram roubar o celular dele. Dizem que quando os dois marginais se aproximaram, um pela frente e o outro por trás, e anunciaram o assalto, foi só braço e pernada para tudo o que é lado. Resultado: os dois infelizes foram parar no HPS. Caso isolado, sabemos todos. Na maioria dos casos o desfecho para quem reage é triste. Mas o Adelson, indignado, defende que todo cidadão tem o direito de agir em legítima defesa e precisa se preparar para isso.

Polêmica. Na casa do Vitão, o grupo que participou da conversa puxada pelo Adelson viu cair a noite dividido. Sueli, centrada, madura, acredita que a única saída é a educação. “Violência só atrai violência”, afirma. Em 2000, Sueli perdeu um tio muito querido durante um assalto no Bairro Floramar. O moço reagiu e conseguiu imobilizar um dos criminosos, mas, pelas costas, um comparsa fez dois disparos. “Nossa família até hoje não conseguiu aceitar a morte tão estúpida do tio Joaquim. Não adianta. O melhor a fazer é não reagir e aprender a votar para que alguma gente séria trabalhe para diminuir as diferenças sociais. Anote isso ai, Josiel”. Anotado e publicado, Sueli.

“Anote também, Josiel...” - pediu o Ismar, companheiro de batente – “O Adelson tem razão. Todo cidadão tem o direito de se defender. Vou até entrar para esse clube do tiro, porque só assim pra bandidada aprender a respeitar. Essses filhos da p... estão precisando de um corretivo. A coisa anda desse jeito porque a gente tá mais parecendo um bando de cordeiro... Comigo é olho por olho e dente por dente. Não existe legítima defesa? Então!? Há muito tempo não dou mole pra bandido. No Brasil, o povo aceita tudo fácil demais. Sempre fui contra o desarmamento. É preciso que haja um controle rigoroso das armas e pronto... de que adianta desarmar um pai de família se os noiados estão armados por aí?”. Taí, Ismar. Publicado também.

Violeta e eu fomos para casa com o nosso filho recém-nascido e não conseguimos deixar de pensar no assunto. Com tanta violência endurecendo o coração até dos sujeitos de bem, que futuro podemos esperar para as nossas crianças?

Bandeira Dois - Josiel Botelho

2 comentários:

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