Vincent - Um solo de amor

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sinimbu trabalha para sair da lama


O sol parece querer se firmar depois de temporada de desastres na Zona da Mata mineira. Milhares de pessoas, ainda em pesadelo sem fim, tentam manter forças para sair da lama e reconstruir o futuro. São famílias inteiras que perderam tudo pelas águas impiedosas dos primeiros dias de 2012. Quem passou por Guidoval (foto), Dona Euzébia e Além Paraíba, certamente, jamais vai esquecer os rastros de destruição deixados pelas tsunamis de lama, causadas pelas cheias que chegaram a atingir 15 metros de altura. Num lugarejo de nome desconhecido, na zona rural de Dona Euzébia, bem próximo a Cataguases, pequenos produtores de Sinimbu se movimentam como podem para voltar a ganhar o pão.

Pela estrada, gado perdido na pista, colocando em risco motoristas, e muito, muito cachorro vira-lata. Adiante, no vilarejo, com cerca de 50 famílias, que vivem de pequena produção agropecuária, o Rio Pomba fez estragos de dar dó na florista Vânia Oliveira Ribeiro, de 36, carioca de Nilópolis, na Baixada fluminense. Há 23 anos na roça da Zona da Mata mineira, Vânia diz que, ali, todo ano é a mesma história, mas, que, dessa vez, o Rio Pomba está um pavor. Mostra a encosta trincada de fora a fora na fazendinha em que vive com a família e aponta para o meio do rio: “Veja só... está vendo aquela árvore sozinha, com água até em cima do tronco? Ontem, dava para ver a areia da ilha”, compara. Isso, coisa de mais de metro.

Nas terrinhas vizinhas da floricultura, ranchos abandonados e mais rastros de devastação. O aposentado Vair Calixto, de 61, tenta dar jeito em destroços em quintal de pura lama. Mas sua maior tristeza é pelas seis vaquinhas magras que teve que vender barato: “Tinha nove. Tudo de estimação. Aí, pra não passar fome, tive que vender barato”, lamenta. Pior é a situação do vizinho granjeiro. José Roberto Araújo, de 38, perdeu todos os 21,5 mil pintinhos que criava, já encomendados. Um horror. No galpão destruído, o odor insuportável da criação morta, misturada à lama, sob telhado de amianto em pedaços, de onde ouve-se apenas o canto trágico dos pombos.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho

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