Vincent - Um solo de amor

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mirante pede socorro

Não é só o centro da cidade que carece ser redescoberto por Belo Horizonte. O Mirante, no alto do Bairro das Mangabeiras (foto), carece de observação. É triste ver o lixo jogado entre pinheiros, eucaliptos e flamboyants. Nas costas de área de segurança da Copasa, não é possível contar a quantidade de pedaços de papel e papelão, sacolas plásticas, marmitex, garrafas e vidros quebrados espalhados pelo lugar. Já do outro lado, com vista para a cidade a situação é ainda mais grave: galhos pesados e cascas das árvores anunciam risco de acidentes. O pipoqueiro alerta: “Cuidado. Não fique aí, porque a qualquer momento pode descer um toco na sua cabeça, moço”. O homem, há 33 anos trabalhando no Mirante, desce para mostrar o peso do galho. “Olhe só. Experimenta pegar para você ver. Sente o peso. A gente fala, mas ninguém vem resolver. Está tudo precisando de poda, de cuidado. Uma hora vai ter um acidente, aí, vai dar problema”.

Geraldo Marcílio Lancuna, de 44 anos, o profissional dos cocos e das pipocas, tenta cuidar do Mirante como se fosse sua casa. Vigilante, lamenta não dar conta de proteger o lugar. “A gente faz o que pode. Se seu filho vem aqui e joga papel no chão, não posso chamar a atenção dele. Isso é papel dos pais. Mas nem todo mundo tem educação, aí fica esse lixo todo que vocês podem ver. Eu cuido, mas não tem jeito de resolver. As pessoas precisam ter mais cuidado com o patrimônio natural que elas têm. Do contrário, um dia, tudo isso acaba. E aí? Como é que vai ser?”, quer saber. Geraldo reclama um pipi móvel para a Praça do Mirante. E precisa. O mau cheiro pelos cantos do lugar chega a ser insuportável. “E do lado da casa do governador, vê se pode. Isso aqui tem que ser orgulho para o cidadão de Belo Horizonte”, emenda o pipoqueiro.

Gotardo Braga Filho, Jussara Coelho, Rafael dos Santos e Fábio Melo, passantes pelo alto das Mangabeiras em tarde de dia de semana, concordam que o ponto turístico carece de maiores cuidados. Rafael, motorista, de 29 anos, chama a atenção para a beleza maltratada do lugar que acaba atraindo violência e pessoas que só fazem piorar o lugar. Fábio, de 27, diz não ter coragem de frequentar o lugar à noite. “A fama daqui é muito ruim. Não tenho coragem de trazer a minha família”, afirma. “Há dez anos venho aqui, a única coisa que fizeram pelo lugar foi colocar câmeras de vigilância, mas nem parece que elas estão sendo usadas, com tanta falta de cuidado”, considera. Gotardo e Jussara apreciam e comentam a beleza da BH vista de cima e lamentam a falta de infraestrutura e de valorização do Mirante.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 10/10/11

Um comentário:

Radige Hanna disse...

Gostei do nome e descrição do seu blog, quando tiver um tempo vou ver seus posts. :D