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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Carta aberta ao humorista Rafinha Bastos


Não é relevante, ao menos para mim, se você vai ou não ser punido e deixar esse ou aquele programa de tevê. Importa-me apenas o fato de que seus “insigths”, os mais equivocados deles, ecoam entre seus seguidores – são mais de três milhões, só no Twitter, fora a batelada de fãs telespectadores e pagantes nos teatros Brasil afora. Meus filhos e eu estamos entre eles. Lembro-me bem do seu começo na internet, do carisma e da espontaneidade que o elevaram ao posto de celebridade, de personalidade influente, reconhecida até pela imprensa estrangeira. Junto da notoriedade, riqueza. Muito dinheiro, vindo da publicidade e dos shows de auditório e subprodutos do seu jeito bem natural de dizer tudo o que pensa (e o que não pensa – acredito). É trabalho honesto, claro. Entretanto, não se pode ser bom de improviso sempre. Você erra, meu velho. Erra feio e sabe disso. É natural, proporcional ao tanto que produz. Vende idéias, sacadas às sacoladas. Contudo, quanto mais pensa alto – seu produto tão efêmero –, maior a chance de morder a língua.


A última, envolvendo a cantora Wanessa Camargo, grávida, foi de doer. Como seguidor, pai de seguidores, só tenho a lamentar. “Comeria ela e o bebê” é de uma infelicidade descabida, vergonhosa. É de chicotear o próprio corpo. Desce ao mesmo nível infame de "Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade", que já lhe custou puxão de orelhas do Ministério Público Federal. Você, menino crescido, já beira os 40 anos. Não pode deslizar de tal maneira. Dar de ombros aos limites. Acompanho seu trabalho, um pouco da sua história, e não posso crer que esses “insigths” rasos brotem da sua alma. O mesmo profissional comunicador, formador de opinião, cidadão de bem, que brande contra a cegueira e a corrupção de forças políticas de nosso país, não pode ser tão inconseqüente. Precisa estar bem acima do papel de comediante irresponsável, capaz de rastejar na superfície para se alimentar de pó.

Isso nada tem a ver com falta de humor. É relativo ao bom senso. Do mínimo que se espera de qualquer cidadão de bem. E você é um deles, imagino. Devia fazer melhor uso da sua inteligência rara. Tem talento para ajudar na construção de um Brasil melhor, se quiser. Talvez, uma forma de retribuir a generosidade e tolerância de seus milhões de simpatizantes que, vez por outra, aceitam sorrindo seus pedidos de desculpas. Embora não seja mais moleque, há ainda tempo de sobra para vestir-se de homem de valores bem maiores do que aqueles que engordam suas contas bancárias ou os cofres de sua casa. Do contrário, você se faz, sem perceber, igual ou pior a tudo o que aprendeu a criticar com tanta propriedade em tempos de lucidez. Você, Rafinha Bastos, está longe de ser mau moço, tenho certeza. É apenas um menino bobo que não aprendeu o que é limite.

Vida Bandida - Jefferson da Fonseca Coutinho - 3/10/11

4 comentários:

Anônimo disse...

simplesmente amei! muito bem escrito e despido de preconceitos e ideias óbvias como o criticar por criticar.parabéns!!

Pedro disse...

seu texto é RIDÍCULO. É falta de humor sim... essa conversinha de politicamente correto não cola.

Ó do Borogodó disse...

Rafinha me deixou desencantada com o humor, que de inteligente virou pura grosseria em tão pouco tempo de sucesso do CQC.
Pena. Tá mtodo mundo precisando de rir de bobagens, não de agressões. Pisou na bola, Rafinha...

JFC disse...

Nunca é tarde para aprender quando se tem coragem para aprender...