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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O problema da falta de educação

Muito vem sendo falado sobre o caso da estudante Geisy Arruda (foto), da Universidade Bandeirante (Uniban), do ABC Paulista. Assunto de todas as mídias, a moça do vestido curto cor-de-rosa, desrespeitada vergonhosamente por colegas universitários (falam em centenas), ganhou espaço em páginas e mais páginas de jornais de todo o Brasil, com direito a notícia até no New York Times.

Venho acompanhando o caso com muita atenção porque o assunto “educação” não me sai do bloco de anotações. Sou mais uma vez vestibulando e, velho estudante, para mim, toda e qualquer instituição de ensino deveria ser templo sagrado contra a ignorância. Como podemos ver, infelizmente, não é a realidade. E como o governo não dá conta, com o ensino público de mal a pior, a educação virou negócio.

O que ocorreu em São Paulo reflete bem a que ponto chegamos com a educação no Brasil. Professores com salários de fome, despreparados, outros desmotivados, e escolas particulares de baixíssimo nível espalhadas país afora. E o que mais me impressiona é que alunos ignorantes, como estes da Uniban, acabam professores amanhã.

Conheci um sujeito, vizinho em Santa Efigênia, que entrou para uma faculdade do tipo “pagou-passou”, fez uma pós-graduação a distância. A irmã mais velha dele, minha amiga, fazia quase todos os trabalhos para ele. Hoje, o cidadão é professor da faculdade que o formou. Outro dia, numa festa, me disse: “Vai pra lá, Josiel. Lá é tranquilo”. Francamente! É a indústria do diploma fazendo de bobo o brasileiro.

Não vai ser com um número cada vez maior de diplomados (assim) que vamos construir um país melhor. Precisamos de conhecimento. De educação de qualidade. É uma vergonha o que houve com a moça do ABC Paulista. Virou piada. Prato cheio para os programas de humor barato que, a cada dia, emburrecem ainda mais o telespectador. Hoje, qualquer mané pode ter diploma. Já educação… não é para qualquer sujeito.

Revolta-me tudo isso. Não consigo entender os maus alunos que pegam carona nos trabalhos dos outros, que até pagam por monografia qualquer. Tenho uma passageira que ganha a vida fazendo monografias e dissertações. Conhecedora das normas acadêmicas, começou como revisora. Por fim, pela demanda altíssima, passou a fazer tudo. Bom para ela, que, com isso, tem aprendido muito sobre vários cursos.

A Uniban, depois de expulsar a Geisy, voltou atrás. Menos mal. Contudo, vai ter trabalho para resgatar o respeito de muita gente. Certamente, vai ter que rever seu processo seletivo para tentar filtrar o bando de gente despreparada que lá se encontra. Que o ocorrido sirva de lição contra a picaretagem que assola a educação no Brasil.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 11 de novembro de 2009

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