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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O fim do mundo

"Fomos parar em 2012. Um desespero. Tratava-se do fim do mundo. Uma superprodução americana, dirigida por um tal Roland Emmerich. Houve até quem gargalhasse com os excessos e com as piadinhas tão comuns ao humor norte-americano".



Foi grande a repercussão de “Carta aberta ao francês Olivier Rebellato”, publicada em Bandeira Dois na semana passada. O texto, que está se multiplicando pela internet, foi postado por um estrangeiro no site http://sites.google.com/site/oliviervsjosiane/ em inglês e francês. Também foi encaminhado às embaixadas do Brasil e da França. O advogado Rodrigo Dolabela, do Bairro São Bento, e Antonio Lourenço enviaram importante e-mail de apoio. O trágico acidente provocado por Olivier Rebellato, que deixou Wenner Gonçalves na cadeira de rodas e Josiane Ramos em estado vegetativo, vem mobilizando muita gente de bem.

Evandro, um generoso vendedor da drogaria Araújo fez questão de levar pessoalmente sua doação à menina, que, sem pai nem mãe, passa por sérias necessidades. Vander Possas e Ana Cândida Cardoso também fizeram importante contribuição. Dezenas de alunos da PUC Minas estão envolvidos diretamente numa série de ações para trazer um pouco de dignidade à garota, que sonhava ser atriz. A partir da próxima semana serão apresentados vários espetáculos teatrais com ingressos trocados por alimentos. Mais informações com Moema ou Patrícia no telefone (31) 3269-3260.

Para arejar um pouco a cabeça e deixar de lado os aborrecimentos dos últimos tempos, aceitei o convite da Violeta para um cineminha no fim de semana. Fui sem rumo, sem saber o que veria. Costumamos fazer assim: chegamos na bilheteria e compramos entradas para o próximo horário. Fomos parar em 2012. Um desespero. Tratava-se do fim do mundo. Uma superprodução americana, dirigida por um tal Roland Emmerich. Houve até quem gargalhasse com os excessos e com as piadinhas tão comuns ao humor norte-americano. Violeta não achou a menor graça. Ficou tensa do início ao fim da película. Eu não sabia muito bem o que pensar.

Tudo o que vi em mais de duas horas de duração me fez dobrar as ideias. Saí da sala com a cabeça a mil. Não dei conta nem de conversar com a Violeta sobre o que senti. Cheguei em casa, mão no caderno, desci a caneta no papel. O fim do mundo é tema para mais de metro. O fim do mundo é aqui, agora. O homem já faz tempo perdeu o juízo (se é que o teve algum dia). E não vou nem citar o desrespeito ao planeta. Discutimos isso aqui outro dia. Falo da intolerância com o semelhante. Da ambição desenfreada, da deslealdade, da falsidade e da falta de caráter. Perdemos a noção e os limites. A vaidade anda comendo pelas beiradas o que há de bom no homem.

Tenho testemunhado e tomado conhecimento de cada coisa de fazer cair o queixo até de quem não presta. Mente-se em tudo que é lugar. Rouba-se cada vez mais descaradamente. Mata-se por pouco ou quase nada. Violência, miséria, abuso de poder e corrupção. É isso o fim do mundo.

É a destruição silenciosa que mais me dá medo.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 25 de novembro de 2009

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