Fantástico - Vai fazer o quê?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O pastelão e a torta



Não sou advogado, menos ainda juiz de qualquer instância. Nem nas peladas de sábado gostava de apitar. Não tenho estômago para as brechas da lei, para os segredos de bastidores e menos ainda para as manobras de corredores. Cidadão de bem, cumpridor de deveres, sou um observador, catador de letrinhas e intérprete de notícias. Já fui leitor, apenas. Hoje, tento ir além: busco esquadrinhar para compreender.

Não provoca nenhuma surpresa a ninguém todo esse circo armado em torno do “caso Eliza Samudio”. Pauta da hora nos últimos dois anos, o mistério que envolve o desaparecimento da ex-namorada do goleiro Bruno é mesmo de grande interesse público. História absurda, é fácil entender o forte apelo popular. Como pode um astro do futebol, prestes a estrelar em campos internacionais, garoto ainda, meter os pés pelas mãos de maneira tão triste? É a pergunta que insiste entre os meus.

Ainda que seja inocente da morte de Eliza, o passado do jogador – e seu envolvimento com os coadjuvantes dessa história assombrosa – já vale roteiro de cinema e caso único de polícia. Adelson, Sueli, Neto, Osmar e eu chegamos a acreditar que a mãe do pequeno Bruno, filho do goleiro, pudesse até aparecer e enterrar de vez a suspeita de assassinato. No entanto, as falas ao vento de que ela foi fazer carreira em filmes pornôs internacionais, que foi vista em São Paulo e na Europa, arrancaram de vez a nossa fé na menor possibilidade.

Conversa demais. Mau teatro demais. Difícil saber onde está a verdade nesse caso trágico de ascensão e queda de um moleque pobre e bom de bola. De um lado, morte e silêncio de acusados e testemunhas cheias de contradições. Do outro – como diria Nelson Rodrigues –, a canastrice fantástica de advogados bizarros, chegados aos holofotes. Ontem, durante conversa com amigo, professor de direito em conceituada universidade de Minas, fiquei ainda mais convencido de que há uma tenda enorme erguida em Contagem para grande circo internacional.

Dentro, tomada por malabaristas, acrobatas, feras domadas e espectadores de fé. Do lado de fora, imprensa, urubus, curiosos, manifestantes e aparecidos de toda a espécie – o que é aquele sujeito “crucificado”? Para o meu amigo, doutor, os tumultos armados nos dois primeiros dias no fórum são apenas o início de um julgamento que ainda vai dar muito que falar. “Vamos, certamente, ter ali um grande apanhado do que há de melhor e pior num tribunal de júri. A juíza é competente. Por hora, é o que salva”, disse. Que prevaleça a justiça, esperamos.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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