Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O melhor da Xuxa

 Todo o muito que já foi dito ainda é pouco perto da gravidade do assunto. Na noite de domingo, na TV aberta, a revelação de abusos sofridos pela apresentadora Xuxa Meneghel, até os 13 anos, trouxe à tona questão que merece atenção permanente por parte de todos. Pessoa pública, endinheirada, estrela da televisão brasileira, não é de impressionar a repercussão de trecho da entrevista em toda a mídia impressa, eletrônica e nas redes sociais. Independentemente da espetacularização do drama, o fato é que abusos dessa natureza devem ser combatidos com força e coragem. Nunca fui fã da Xuxa. No entanto, reconheço a sua força e o seu valor, às vesperas de completar 50 anos.

Na segunda-feira, entre os amigos de bem, não houve outro assunto. Ainda mais por parte do Genilson, inflamado quando a conversa é a violência contra crianças. Nosso amigo, taxista, é “tolerância zero” com estupradores. Genilson não esconde nem breve passagem pela polícia. Nos anos 1990, em Santa Efigênia, ele flagrou um sujeito de meia idade com as calças no chão, abusando de um garoto de 8 anos. Ele bateu tanto no abusador que foi parar na delegacia, fichado. O tarado, todo quebrado, fez a família deixar o bairro de tanta vergonha. “Os pais do infeliz, ricos, eram pessoas muito boas, os irmãos também. Eles não deram conta de encarar os vizinhos depois da atitude do filho”, diz Genilson.

Genilson revela que depois que o abusador se mudou de Belo Horizonte, apareceram outras duas famílias com o mesmo problema causado pelo mau elemento. “Um ano depois, soubemos que o sujeito havia sido preso pelo mesmo motivo e amanheceu morto num presídio do interior de São Paulo”, conta. Triste fim para uma história que se repete em todas as classes sociais. A Sueli, que também acompanhou a revelação bombástica da Xuxa, diz saber de caso próximo, de gente muito querida, semelhante ao da apresentadora. “As crianças, meninos e meninas, não entregam o abusador, quase sempre, por medo do que a família pode pensar. Chegam até a se sentir culpados pela violência sofrida”, diz.

O Adelson traz para Bandeira Dois ponto de vista polêmico, debatido por ele, recentemente, com um psicanalista, passageiro das antigas. “Depois de tudo o que ouvi sobre o caso do maníaco do Bairro Anchieta, o tal Pedro Meyer, anote aí, Josiel… esse é um problema que pode se repetir. O abusador costuma ser um sujeito que foi abusado na infância. Como escreveu Freud: ‘A criança é o pai do homem’. Disse-me o Dr. René”. Será mesmo que Freud dá conta de explicar a quantidade de gente doente espalhada pelo mundo, capaz de abusar de nossos pequenos, Adelson? O assunto vai render.

O que sei, pai de família, é que não dá para baixar a guarda em relação às companhias de nossos filhos. Temos que ser vigilantes sempre. Como na história da Xuxa, que, alegre, falante na infância, de repente tornou-se calada, o mal pode estar muito mais perto do que a gente imagina: entre parentes, amigos, professores e vizinhos. É preciso denunciar. Lugar de quem maltrata a inocência é atrás das grades. No ideal em construção, pelo qual toda gente do bem trabalha, não há espaço para quem não tem coração. Com tanto tempo de TV, enfim, Xuxa trouxe à cena um pouco do seu melhor: a coragem.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 23/5/12

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