Van Gogh - Temporada 2017

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Estreia dia 17, no Teatro Marília

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Heleno: gênio ou craque problema?



É muito bom sair do cinema depois de assistir a um filme brasileiro de qualidade. Ainda não temos a sensibilidade dos argentinos para falar de coisas simples. Tampouco os recursos tecnológicos dos norte-americanos ou a delicadeza dos iranianos, é verdade. Contudo, estamos avançando bastante na arte de amarrar boas histórias. É o caso de Heleno, dirigido por José Henrique Fonseca, que conta, em preto e branco, o drama de grande estrela do nosso futebol nos anos 1940. Trata-se de Heleno de Freitas (1920-1959), mineiro de São João Nepomuceno, de vida bastante conturbada dentro e fora dos gramados.

O jogador sofreu com sífilis, doença que o enlouqueceu. E o levou à morte, aos 39 anos, num sanatório em Barbacena. Para muitos, obcecado pela vitória dentro das quatro linhas, Heleno foi “gênio” e “craque problema”. Em 235 partidas pelo Botafogo, entre 1940 e 1948, o atacante marcou 209 gols. No estrangeiro, pelo Boca Juniors (Argentina) e pelo Junior de Barranquilla (Colômbia), Heleno não avançou. No Brasil, depois dos tempos de estrela maior do Botafogo, até pareceu dar novo fôlego à carreira no Vasco. Mas, a partir de 1952, decadente, Heleno viu a vida se esvair num sopro.

Há muito para ser dito sobre o filme. Especialmente sobre o roteiro acertado, não linear, sem grandes firulas ou invencionices com a bola. Diretor e roteiristas, ainda que com boas doses de ficção, optaram pela vida do craque fora dos gramados, nos bastidores e na relação de Heleno com suas paixões – com ele mesmo, particularmente. A produção encontrou ator à altura do desafio: Rodrigo Santoro. O intérprete “incorpora” Heleno e repete a extraordinária performance de Bicho de sete cabeças, de 2001. Em comum nos dois longas a loucura.

Além do protagonista, da fotografia e do roteiro, as interpretações do filme são outros grandes acertos da obra. Angie Cepeda, a cantora amante, encanta e convence em cenas por demais difíceis. A bela atriz colombiana de Pantaleão e as visitadoras, de 2000, mostra timing e carisma ainda mais maduros. E, para minha surpresa, topo com Maurício Tizumba – meu passageiro das antigas, ator e músico de respeito em Minas Gerais – fazendo bonito na fita. O moço tamboreiro , que já foi meu vizinho, está mandando cada vez melhor na telona.


Bandeira Dois - Josiel Botelho - 4/4/12

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente um filme brasileiro sensacional