Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Obrigado, Violeta!

Ficar é fácil. O difícil é permanecer. É bem simples confundir o amor. Desejo qualquer um pode ter. Amor não. Amor é para quem ama. Há algo de extraordinário de carona com o tempo: a maturidade – ainda que o amadurecimento não seja para qualquer um. A gente cresce e o olhar vai junto, apurado, atento ao que antes, mesmo lá, dentro, não podia ser percebido.

Meu pai sempre diz que o jovem pode e não sabe; já o velho, esse, sabe e não pode. Aos de meia idade cabe a sobrevivência, trazendo ao futuro o que melhor resiste à linha fina do tempo. Sabe melhor quem descobre junto. É o que tenho aprendido com as muitas cabeçadas na vida. Pode até demorar, mas, com boa vontade e respeito às diferenças, todo mundo pode um dia se acertar com o coração.

Tenho amigos que, como eu, aos 40, somam desacertos. Muitos desses amigos deram a volta por cima, aprendendo com os erros. Outros insistem nos mesmos tropeços. O Osmar tem uma tese. Para o meu amigo taxista, casais que se divertem juntos são mais felizes. E casais amigos de casais felizes são ainda mais felizes. Faz sentido.

Nos últimos cinco anos, sem dúvida, tenho aprendido mais com o casamento do que em três décadas. Ficar junto também é uma opção. Uma decisão particular que, somada à boa fé do outro, pode durar para todo o sempre. Amar mais e melhor. Sempre. É o que digo para mim mesmo todos os dias.

Também suspiro em pensamento o “Soneto do amor total”, de Vinicius de Morais, que, pensando na mulher amada, aprendi de cor. Para o amigo leitor, sozinho ou em boa companhia, um recorte do que escreveu o grande poeta:

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

Um comentário:

Naty Bomfim disse...

Que declaração mais linda!
Tinha que ser escrita por você, Jeff!!!