Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cinema para quem gosta de teatro



Quem não gosta de ver gente de verdade, ao vivo, nos palcos, não vai gostar dessa nova versão de Bonitinha, mas ordinária, do genial dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), para as salas de tela grande. O roteiro e a direção de Moacyr Góes tem força concentrada nas interpretações. Não é cinema de quem faz cinema. É cinema de quem sabe muito sobre o bom teatro. Os quadros super fechados, colados no rosto dos intérpretes, é opção de quem sabe o que quer do elenco.

Moacyr Góes, homem das artes cênicas, tem passagens muito modestas pelo cinema. Dirigiu Padre Marcelo e Xuxa em filmes menores que nada tem a ver com esse seu Bonitinha…, rodado em 2008 – com cinco anos de atraso a fita, finalmente, chega ao público. Gosto do filme. Ainda que a adaptação para os dias atuais prejudique a trama central de Nelson, a produção comandada por Góes valoriza o que há de melhor na obra: o texto.

Segue a sinopse para quem não conhece e ficou curioso para conhecer a história:

Edgard (João Miguel) é namorado de Ritinha (Leandra Leal), uma mulher bonita e simples, que trabalha como professora para sustentar suas três irmãs e a mãe desequilibrada. Ele também sofre com as dificuldades financeiras para sustentar a mãe. Edgard trabalha na empresa do milionário Werneck (Gracindo Junior).

O drama de Edgar começa quando o colega Peixoto (Leon Góes), genro de Werneck, faz proposta para que ele se case com Maria Cecília (Letícia Colin), a filha do chefe. Desde então, Edgard tem de lidar com a tentação de morte: abrir mão do amor por Ritinha ou casar-se com Maria Cecília.

João Miguel, o Edgar de Bonitinha…, é ator de traços fortes, de força já comprovada no cinema. Esteve com muita competência em trabalhos inesquecíveis como Estômago, de Marcos Jorge, de 2007. Na trama, João Miguel é Nonato, um migrante nordestino que busca vencer na cidade grande. O ator também fez história em Mutum, O céu de Suely e Cinema, aspirinas e urubus.

Gracindo Júnior, na pele do Dr. Werneck, é outro ator de estatura na fita. Já Leon Góes, comedido, é grata surpresa entre os grandes. As duas mocinhas não decepcionam. Leandra Leal, reconhecidamente uma das melhores atrizes brasileiras de sua geração, dá vida a Ritinha, professorinha e prostituta, cheia de motivos. Em contraponto, doce e envolvente, Letícia Colin faz bem o papel de moleca ordinária.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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