Vincent - Um solo de amor

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A revolução e a esperança


Este é o momento político mais importante da minha vida. Nasci nos “Anos de Chumbo”, no período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, entre 1968 e 1974. Criança, porém, não tenho grandes lembranças do início dos anos 1970. Lembro-me do Exército nas ruas. Só isso. O resto fui aprender nos livros, bem mais tarde - já que minha família gostava mesmo é de futebol, infelizmente.

Política nunca foi tema de tanta responsabilidade nas rodas que frequento. E isso, honestamente, tem me trazido satisfação bem particular. Ver os companheiros de praça discutindo reforma política; plano de governo; propostas deste ou daquele movimento; a importância dos partidos; a força da juventude politizada; a imprensa livre; os deveres do poder público; a segurança do país… tudo isso, preciso dizer, reacende em mim a esperança de uma nova era.

O momento é de reflexão. Sempre acreditei que para mudar o mundo, antes, a gente precisa cuidar do nosso quintal. Não adianta bradar contra a corrupção se você usa uma carteira falsa de estudante ou burla o imposto de renda. Não adianta sair com uma placa dependurada no pescoço, pedindo o fim da violência se você bebe e pega no volante, grita com sua família ou sai na mão por qualquer bobagem.

Vejo o Brasil dos últimos dias acordado para um novo tempo. Não é uma utopia. Creio, com a força das minhas convicções, que, desde que o povo foi para as ruas, muita gente acostumada com aquele famoso “jeitinho brasileiro” de levar vantagem  está com as duas mãos na consciência.

A “revolta dos vinte centavos” há de despertar cidadãos, os políticos e todo o poder público. Numa palavra, a voz das ruas diz: “Basta!”. Nada de enfrentar a Polícia Militar, os federais, o Exército ou a Força Nacional. Não é necessário. Algumas forças políticas de valor, crescentes, já se movimentam para uma nova história.

Ainda que tudo indique o caos, prefiro acreditar na força da maioria, pacífica, que só quer ressaltar o que já foi dito: “Basta!”. Estou nas ruas. Em paz! Pelo futuro dos meus filhos.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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