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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Força, família Cotta!

Não é preciso ser pai para indignar-se com o assassinato de João Pedro Avelar Cotta, de 2 anos, no colo do pai, Sandro Magno Cotta, no último fim de semana, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Triste. Mais um inocente, em calças curtas, vítima da violência que esfrangalha famílias inteiras de nosso país.

Tenho uma amiga, advogada, que acaba de voltar de longa temporada na Europa. Ela diz que o Brasil tem vendido uma imagem lá fora de “País das Maravilhas”. Diz que até brincavam com ela, chamando-a de “Alice” – referência ao clássico de Lewis Carroll. A morte cruel do pequeno João Pedro não está no melhor da literatura.

A criança foi morta no colo do pai. No lado esquerdo do peito, colada ao coração. É de embargar a garganta de qualquer cidadão de bem o depoimento de Sandro aos jornalistas. O pai de família, em pedaços, diz que o assassino atirou sem dó nem piedade. Atirou três vezes, enquanto Sandro oferecia a chave do carro.

Tenho amigos maduros, na casa dos 60 anos, que falam de um tempo em que os bandidos respeitavam mulheres e crianças. Faziam e aconteciam por dinheiro e objetos de valor. Nada mais. Com o mínimo de humanidade, poupavam as vidas e a integridade física de suas vítimas. Hoje, matam por muito pouco ou quase nada.

O sujeito, assassino do pequeno João Pedro, foi filmado por câmera de segurança na rua, no Bairro Inconfidentes. Soube, por parte de amigo policial, que o crime indignou também os agentes empenhados em prender o assassino. Prender o criminoso é questão de tempo. Até este ponto do texto o sujeito continua foragido.

Peritos trabalham nas imagens e em depoimentos de testemunhas. Enquanto isso, o pai, ferido no corpo e na alma, fala em paz. Chegou a dizer que quer o bem do indivíduo. Contudo, não é para menos, clama por justiça. De bom coração, Sandro não quer que ninguém passe pelo que sua família está passando.

Fica uma pergunta que ecoa pelos quatro cantos do “País das Maravilhas”: até quando? Da Zona Norte à Zona Sul, na periferia ou nos bairros mais chiques de nossas cidades, inocentes continuam sendo assassinados. Não é de estranhar as pessoas, em milhares, tomando as ruas em protesto contra o poder público.

O preço das passagens de ônibus é marco, ponto de virada, apenas. É o basta. Em questão há muito mais. Há o cansaço de um povo exaurido pela corrupção, pela falta de respeito, pelo descaso com a segurança, com a educação e com a saúde. No país do futebol, em tempos de vitrine internacional, o espetáculo é o da indignação.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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